Dificilmente não há ano em que o período do Carnaval se transforme na razão do sofrimento de brasileiros em todos os pontos do País. A festa, que deveria celebrar a alegria e a descontração, torna-se um prato cheio para excessos e exageros, principalmente abusos da bebida alcoólica, que é associada a imprudências no trânsito e acidentes fatais que poderiam ter sido evitados. O trânsito brasileiro é um dos que mais mata no mundo, mas no Carnaval a taxa de mortalidade entre jovens é muito maior. Franca já foi sacudida assim nesta época do ano, quando grupos de amigos perderam a vida em viagens programadas para a diversão, lazer e descontração. Ninguém merece encontrar o fim da vida numa estrada ou numa cidade quando está em busca da alegria que a festa irradia.
Há muitos casos em que jovens são vitimados por um motorista embriagado, que assume o risco de dirigir e matar sem estar no controle pleno de suas faculdades sensoriais e mentais. A bebida é o maior inimigo para quem dirige. O brasileiro sabe disso, mas continua teimando em não dar atenção às campanhas de esclarecimento sobre o uso do álcool, as quais se intensificam nos dias de Carnaval. Ninguém está aqui para jogar toda a culpa nas bebidas. Aliás, se o bordão ‘se beber, não dirija; se dirigir, não beba’ fosse levado em consideração, com certeza centenas de acidentes seriam evitados e número igual de vítimas poupadas, não apenas no Carnaval.
Outro ponto que precisa ser ressaltado é a liberdade sexual que toma conta dos dias de folia. Além de uma gravidez indesejada, a licenciosidade se apodera das festas, principalmente nos locais de maior concentração, como Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador (BA), que levam multidões aos eventos, como desfiles de escolas de samba, nos dois primeiros casos, e na passagem dos trios elétricos, no terceiro. O uso de preservativos, que são distribuídos gratuitamente nestes e noutros locais, não serve apenas para evitar filhos. A proteção existe para se impedir a disseminação de DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis), principalmente a Aids, para a qual ainda não existe cura.
Brincar o carnaval não pode ser desculpa para uma sequência de exageros que pode causar muito sofrimento em plena festa da alegria. Beber com moderação e responsabilidade e se prevenir na hora do sexo são primordiais para evitar qualquer aborrecimento ou tragédia. Desfrutar o Carnaval, seja com os desfiles das ruas, nas concentrações de trios elétricos ou com os tradicionais bailes dos salões, que ainda persistem no Interior é direito dos foliões. Fazê-lo sem exageros para manter a paz é um direito de todo mundo. Que tal aconteça, então.
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