Um dia depois das eleições para a escolha do novo presidente do Sindicato dos Sapateiros de Franca, uma carta entregue ao GCN expõe um racha entre os principais membros da antiga diretoria e levanta suspeitas sobre o desvio de recursos e a existência de um esquema envolvendo “laranjas” na gestão da entidade sindical.
A carta foi encaminhada na manhã desta sexta-feira ao diretor-executivo do GCN, jornalista Corrêa Neves Júnior. O ex-diretor do Sindicato dos Sapateiros e atual dirigente do Sindicato dos Motoristas de Franca, Geraldo Xavier de Almeida, o “Geraldinho”, esteve pessoalmente na sede do grupo, às 10h22. Acompanhado de um segurança, ele fez questão de entregar a carta e um folheto com reportagens depreciativas contra Agnaldo Madaleno, presidente derrotado nas eleições desta semana, nas mãos da secretária da diretoria do GCN. O documento é datilografado com algumas frases escritas à mão. Datado de 3 de fevereiro, é direcionado a Madaleno.
Com o apoio financeiro de Geraldinho, Madaleno foi eleito para a presidência do Sindicato em novembro de 2014. Seis meses depois, ao comprovar fraude na apuração e no preenchimento das cédulas de votação, a Justiça do Trabalho anulou a eleição e manteve Madaleno no comando provisoriamente até que uma nova eleição fosse realizada, o que aconteceu nesta semana.
Depois da decisão de anulação, Madaleno, que havia nomeado Geraldinho como diretor-geral do sindicato, resolveu romper com o ex-apoiador. Demitiu Geraldinho e pediu ajuda à Força Sindical para gerenciar a entidade. Os motivos do rompimento nunca foram claros. À época, Madaleno afirmou que Geraldinho não queria deixá-lo administrar.
Na carta de cinco parágrafos entregue ontem, Geraldinho insinua que o real motivo do distanciamento entre os dois teria sido outro. Ele escreve: “Sr. Agnaldo, estou dizendo que sei pôr e sei tirar quem quer usar os outros e não quer ser laranja. Acontece isso aí. Um já perdeu, e você que foi iludido pela Força Sindical também coloquei tudo para correr (sic)”.
No trecho seguinte, continua: “Você sabe o quanto foi gasto com você? Ninguém quis te ajudar, agora (...) Você já era. Agora estou de olho neles (na Força Sindical)”.
Depois, a carta é encerrada com duas observações. Uma escrita à mão e outra datilografada: “Nunca esqueça traidores sempre volta (sic) para seu lugar. Eu avisei antes que iria voltar para sua casinha velha”.
Procurado no início da tarde de ontem para comentar a carta que havia entregue de manhã, Geraldinho primeiro negou que tivesse estado na sede do grupo. “Não fui aí não. Essa carta não fui eu que escrevi não. Não tenho nada com isso”, disse. Sobre Madaleno, afirmou: “Eu fiz campanha contra ele sim. Usei carro de som e distribui folhetos. Eu o apoiei e ele me pôs para fora”.
Confrontado com o fato de haver um vídeo com a imagem dele na sede do grupo, entregando os documentos à secretária da diretoria do GCN, Geraldinho mudou sua versão. “Eu fui aí sim. Mas foi para fazer um anúncio de uma chácara.” Questionado sobre o fato de não ter se dirigido, em nenhum momento, ao Balcão de Anúncios, afirmou: “Eu não sabia que tinha que ir lá”. Depois ameaçou processar o Comércio da Franca e desligou o celular.
Já Agnaldo Madaleno não atendeu as ligações feitas para seu celular. Também não esteve na sede do Sindicato dos Sapateiros. Um amigo próximo disse que, depois da derrota nas urnas, ele estaria muito abalado e sem condições de atender a reportagem.
Auditoria
O presidente eleito do Sindicato, Sebastião Ronaldo, disse que, diante das afirmações feitas na carta, deve pedir uma auditoria nas contas do Sindicato. “Me parece ser um acerto de contas envolvendo a gestão deles no sindicato. Precisamos saber se houve algum desvio ou irregularidade.”
Sebastião Ronaldo disse que, assim que a Justiça autorizar sua posse, ele irá abrir uma auditoria. “Vamos conferir tudo o que eles fizeram e, se comprovarmos alguma irregularidade, eles serão denunciados à polícia e às autoridades.”
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