Morreu o engenheiro agrônomo e cafeicultor Ruy Barbosa Luz, aos 91 anos


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Morreu no dia 3, no Hospital São Joaquim/Unimed, o ex-cafeicultor e engenheiro agrônomo Ruy Barbosa Luz, aos 91 anos. Foi internado no dia 30 de janeiro, com pneumonia. Portador de Alzheimer, diagnosticado em 2011, enfrentou, nos dois últimos anos, o recrudescimento da doença e perdeu muito de sua capacidade física. O atestado de óbito registrou falência múltipla de órgãos e septicemia.
 
Era natural de Franca, filho do agropecuarista, médico e dentista Joaquim Orlik Luz e Ruth Barbosa Luza, proprietários da Fazenda Petrópolis, área rural que deu origem ao bairro City Petrópolis. 
 
Deixou, viúva, a senhora Céris Lucena Luz, de 85 anos. Tiveram 63 anos de casamento, três filhos (Roberto, Cíntia, casada com Hamilton da Matta Ambrósio; Rui, casado com Mônica Viveiros de Castro), cinco netos (Céris, Daniela, Rafaela, Marcela, Letícia) e um bisneto, Enzo. “Minha mãe é de João Pessoa (PB). Papai e ela se conheceram quando ela veio, em período de férias, conhecer Franca a convite de seu padrinho, Orlando Dantas de Mello, funcionário de carreira do Banco do Brasil, e que tinha sido transferido para cá para gerenciar a agência francana do banco. Conheceram-se, namoraram, noivaram e se casaram em apenas seis meses”, disse Rui.
 
Fixaram residência na cidade e na sede da Fazenda Petrópolis. “Papai foi, a vida inteira, apaixonado pelo café, e a fazenda de meus avós era uma das propriedades mais importantes da região, já que exportava produção para a Alemanha. Formou-se engenheiro agrônomo na Esalq - Escola Superior de Agricultura ‘Luiz de Queiróz’, da Universidade de São Paulo, campus de Piracicaba, e se dedicou, de corpo e alma, a ampliar as capacidade produtivas das terras da família”, historiou o filho.
 
“Empreendedor e visionário, importou máquinas, instalou na propriedade o primeiro secador de café automatizado da região, na década de 50. Os resultados que alcançou foram comentados em várias regiões do Brasil e alavancaram ainda mais os negócios da fazenda. Já na década de 70, com a morte de meus avós, a propriedade foi desmembrada e vendida. Meu pai continuou tocando parte da área. Em 1975, quando os Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro foram fundidos e se originou o primeiro governo, assumiu, como Secretário de Estado da Agricultura, José Rezende Peres, grande amigo de meu pai, e ele foi convidado a se tornar assessor e consultor. Papai aceitou e seguiu para lá, com toda a família. Assumiu e coordenou vários órgãos da administração estadual, nos anos seguintes”, disse Rui. A propriedade rural que lhe pertencia, ele vendeu nos anos seguintes, dado a distância e a consequente impossibilidade de continuar à frente de seus negócios. Manteve apenas uma casa sede da antiga propriedade e pequena parte, para 
continuar produzindo o café que adorava. A família permaneceu no Rio até a aposentadoria dele, após atuação em vários órgãos do Estado. “Voltaram para Franca em 1997 em busca de vida interiorana que nunca esqueceram. Aqui, dedicaram-se à família, aos netos que chegavam e às amizades que fizeram pela vida inteira”, disse Rui.
 
Ruy Barbosa Luz foi um homem ativo e presente nas causas francanas. Integrou os quadros do Rotary Club e do grupo que fundou o Clube de Campo. “Embora trabalhasse muito, também reservava algum tempo para a atividade física. Foi ‘quase’ um atleta. Gostava de correr, de jogar tênis. No Rio, ainda jovem, foi remador do Flamengo. Não via obstáculos intransponíveis. Vários vezes, com a família, seguiu, de carro, ao Nordeste. Para nós, crianças, eram aventuras fantásticas. Jamais vou esquecer de sua vitalidade. Com ele, foi uma parte importante da história de Franca e as melhores de nossas lembranças”, emocionou-se Rui.
 
Seu corpo foi velado no São Vicente de Paula, com serviços da Funerária Nova Franca, e trasladado ao Crematório Ecológico de Ribeirão Preto, às 13 horas do dia 4. “Suas cinzas, a família ainda analisa onde depositá-las, se junto ao pai e ao tio, no túmulo da família, no Cemitério da Saudade, ou dispersa nos cafezais que ainda restam na antiga fazenda Petrópolis, local que mais amou”, completou seu filho.

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