As vendas de carros usados em Franca não vão bem. A afirmação é de proprietários de garagens da cidade que viram, nos últimos meses, a movimentação despencar e o estoque de veículos, automaticamente, encalhar. O motivo apontado por unanimidade são as altas taxas de juros na hora do parcelamento.
“Se antes vendíamos uma média de dez carros por mês, hoje vendemos quatro ou cinco, e demoramos até 90 dias para ter um giro de veículos”, disse Daniel Ribeiro da Silva, da Carville Automóveis. Segundo ele, o cenário começou a cair em outubro e atinge todos os tipos de veículos. “Mesmo para carros mais comerciais, a venda está difícil.”
A possibilidade de oferecer algum tipo de vantagem, como IPVA grátis e financiamento pela própria loja, é o que tem garantido as vendas na Fox Veículos. O gerente David Cassere Mercuri explica que, apesar da melhora, o número de negócios fechados, atualmente em torno de 13 a 15 mensais, ainda está abaixo do registrado anteriormente.
Antes da crise, a média era de 30 veículos comercializados por mês e o tempo de permanência de um automóvel parado na loja era de 20 dias a um mês. Hoje, esse rodízio demora até quatro meses para acontecer.
Para os revendedores, a restrição de crédito pelas financiadoras também dificulta e desanima os potenciais clientes interessados na troca ou aquisição de um seminovo. “Há procura, porém, não tem aprovação. Os bancos estão mais criteriosos e isso atrapalha”, explicou Juliano Carrijo Stefani, proprietário da Jucar, que lida com financiamento em 90% das negociações. Já quando o crédito é aprovado, as altas taxas de juros contidas no financiamento barram a concretização da venda.
Há 20 anos no ramo, Gustavo Pereira Borges, dono da Fran Veículos, disse que reduziu o estoque da garagem em razão do enfraquecimento das vendas e tem se apoiado em promoções para se manter no mercado. “Está péssimo. Colocava carros até do lado de fora em anos anteriores, agora diminui o volume e só estou com 15 veículos.”
Saída
Ivo de Oliveira, proprietário da garagem que leva seu nome, diz estar conseguindo manter a média de 35 a 40 carros vendidos por mês, porém, revelou estar trabalhando mais e com um estoque variado a fim de atender todos os públicos.
Segundo o empresário, entre as estratégias que tem aplicado para não sentir a crise está um plano diferenciado na negociação com o parcelamento da entrada em até 12 vezes no cartão de crédito. “O trabalho tem sido árduo e focado em atender todas as camadas.”
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