O motorista que for descer a serra em direção a Rifaina no fim da tarde de hoje ou que estiver se deslocando para Franca deve enfrentar lentidão e transtornos na rodovia Cândido Portinari. Está marcado para as 17 horas o protesto organizado pelo grupo regional de mobilização contra a instalação de dois pedágios previstos para a região. Em dias normais, 6 mil veículos, em média, passam pelo local. O movimento deve dobrar por causa do feriado prolongado de Carnaval. A Polícia Rodoviária fará a sinalização e aumentará o número de policiais e viaturas para garantir a segurança dos usuários e dos participantes do movimento.
O protesto vai se concentrar no quilômetro 417, entre Cristais Paulista e Pedregulho, ponto onde está prevista a implantação de uma das praças de cobrança. Fazem parte do grupo prefeitos, vereadores, empresários, usineiros, advogados, caminhoneiros, sindicatos e lideranças das cidades que se uniram nas redes sociais para pressionar contra a instalação dos pedágios.
A inspiração de parar a rodovias veio da ação de estudantes que, contrários à reorganização das escolas da rede estadual, ocuparam as unidades no ano passado e impediram a mudança. Caminhões, ônibus, tratores, carros de som e faixas serão usados para causar impacto e chamar a atenção do governador. Panfletos serão distribuídos aos motoristas para explicar os objetivos do movimento.
Uma hora antes do começo do protesto, o comando da Polícia Rodoviária estará no local para se reunir com os líderes do movimento e sinalizar a pista. “Vamos analisar a melhor forma de fazer a manifestação para que haja segurança para os usuários e manifestantes. Organizaremos para que o protesto seja ordeiro e pacífico, mas que consiga transmitir a mensagem que a população da região deseja”, disse o capitão Junqueira, comandante da Polícia Rodoviária na região de Ribeirão Preto. “É possível fazer um protesto de maneira tranquila, tanto é que o policiamento rodoviário não é contra a manifestação. Apoiamos e respeitamos toda manifestação pacífica. Estaremos lá para apoiar e orientar o cidadão”, completou.
Mesmo sendo do partido de Geraldo Alckmin - PSDB -, o prefeito de Cristais Paulista, cidade que receberia ISS com a instalação do pedágio, Miguel Marques é uma das vozes contrárias. “O interesse da população é muito maior do que a arrecadação que receberíamos. Se deixar de ter o pedágio, a sociedade já será beneficiada. O povo não aguenta mais pagar tantas taxas. O governador sempre atendeu os pedidos de Cristais, mas não posso misturar as coisas. Sou contra o pedágio e, não, contra o governador”.
O deputado Roberto Engler, que se tornou alvo da polêmica por ter prometido - com base na palavra do governador - que as pistas seriam duplicadas sem pedágio, divulgou nota afirmando que apoia a manifestação por se tratar de uma forma eficaz de demonstrar a opinião contrária da maior parte da população. “Um protesto surgido a partir da mobilização da sociedade civil, dotado de bom senso e posto em prática de forma pacífica, será sempre uma legítima e louvável demonstração de cidadania, à qual se deve aplaudir”. Engler disse que torcerá pelo sucesso do protesto, mas que não estará presente para não configurar qualquer espécie de oportunismo político.
Na tarde de ontem Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) se juntou aos descontentes e divulgou uma carta endereçada ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) em que repudia a instalação dos pedágios. O texto diz que a cobrança incidirá sobre toda a produção local, tanto na vinda de matérias primas para a região, quanto na remessa dos produtos acabados aos grandes centros consumidores do País, o que prejudicaria a economia local.
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