Zika vírus está em Franca e pode matar, alerta médico infectologista


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Especialista revela ameaça que representam o zika e a febre chikungunya; diz que população deve se preparar para evitar uma nova epidemia, desta vez com as novas doenças, além da dengue
Especialista revela ameaça que representam o zika e a febre chikungunya; diz que população deve se preparar para evitar uma nova epidemia, desta vez com as novas doenças, além da dengue
O zika vírus já circula em Franca e pode matar. A afirmação é do médico infectologista Rubens Pereira dos Santos, do Hospital Regional de Franca. Ele garante que, por tratar-se de um vírus em que 80% dos pacientes não apresentam sintomas e nos outros 20%, os sinais são mais fracos e muitas vezes confundidos com a própria dengue, os casos não foram diagnosticados corretamente. “Tenho certeza de que o vírus já está em Franca, só está mal diagnosticado. No ano passado, por enfrentarmos uma epidemia (de dengue), muitos exames deixaram de ser realizados e, por isso, os casos passaram desapercebidos.”
 
Até hoje, Franca registrou três casos suspeitos de zika, incluindo o de um homem que morreu em janeiro e está sob apuração, além de sete suspeitos e um confirmado de febre chikungunya.
 
De acordo com o médico, os profissionais ainda estão aprendendo sobre o vírus zika, assim como a febre chikungunya, já que esta é a primeira vez que uma epidemia foi registrada.
 
“Quando surgiu, o zika era conhecido como a dengue boazinha, já que na maioria dos casos os sintomas são mais amenos. E hoje vemos que não é exatamente assim. Sabemos que trata-se de um vírus neurotrópico e temos evidências fortes de que ele provoca complicações neurológicas, como no caso da microcefalia em fetos. Recentemente, também foi observada possível correlação com a ocorrência de síndrome de Guillain-Barré.”
 
Com novas evidências surgindo a cada dia, incluindo a transmissão através da relação sexual, o médico acredita que é apenas uma questão de tempo para que casos de zika sejam confirmados na cidade e alerta sobre os riscos de uma possível epidemia. 
 
“Ainda não é possível saber exatamente como esse vírus age, separadamente, em idosos, crianças e adultos, mas é possível saber que pacientes com doenças crônicas estão mais vulneráveis às sequelas. Na literatura mundial, já existem registros de mortes causadas pelo vírus zika, por isso, todo cuidado é fundamental para prevenir a proliferação da doença. Temo que teremos ainda muitas surpresas relacionadas a esse vírus”, disse.
 
Com sintomas extremamente parecidos, o infectologista afirma ser complicado diferenciar claramente os três vírus. Segundo ele, no caso do zika, manchas na pele, coceira e a conjuntivite costumam ser mais intensos e ínguas também podem aparecer. Na febre chikungunya, a dor articular costuma ser intensa, podendo durar meses e se transformar em uma dor crônica. Já na dengue, febre alta e hemorragias podem ser registradas.
 
Com o avanço rápido no número de casos de zika, a OMS (Organização Mundial de Saúde) decretou estado de emergência pública internacional o que, segundo o infectologista, poderá acelerar o processo de estudos do vírus. “Observamos um grande esforço dos médicos para descobrir o que exatamente o vírus provoca e ouso acreditar que, até o fim deste ano, já poderemos ter estudos avançados de alguma vacina. Porém, nada disso será suficiente se as pessoas não fizerem a sua parte. O problema somos nós mesmos e é preciso fazer o básico e combater os criadouros dentro da nossa própria casa”, disse.
 

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