A grande preocupação que o zika vírus vem causando nos últimos meses, chamando a atenção dos órgãos como a OMS (Organização Mundial de Saúde) e países como EUA, França e vários outros na Europa, deixa bastante clara a forma como o vetor da transmissão, o mosquito aedes aegypti, tem sido negligenciado no Brasil e países da América Latina, onde a doença vem se expandindo de forma assustadora. O aedes, que também transmite a dengue e a chikungunya, duas moléstias igualmente mortais se não tratadas convenientemente, voltou com força total nos últimos trinta anos e, de lá pra cá, o Brasil não conseguiu combatê-lo de forma eficiente. Especialistas garantem que se a proliferação do mosquito for controlada, a transmissão pode também ser reduzida a quase zero.
O maior problema é que ninguém em nosso País, autoridades e população, se preocupou muito com o mosquito ou com a dengue. Agora, com o zika, em razão de sua ligação com o nascimento de crianças com microcefalia (cérebro menor do que o padrão) criou-se uma espécie de histeria e exigiu-se das autoridades uma resposta. Só no Brasil há quase quatro mil casos de microcefalia, anomalia que deixa sequelas que prejudicam o desenvolvimento físico e cognitivo da criança. Agora, a corrida contra o tempo é para se encontrar uma vacina ou medicamento que protejam as mulheres grávidas que tenham a doença inoculada. A preocupação é proteger o bebê, mas ainda não há respostas capazes de levar os pesquisadores a um caminho seguro. Assim como aconteceu com o ebola, que finalmente foi controlado em países da África, o zika vírus exige um combate eficiente e medicamentos capazes de evitar as suas consequências.
Somente agora, diante da ameaça crescente, a presidente Dilma Rousseff (PT) baixou decreto permitindo que os agentes de saúde invadam residências fechadas para buscar criadouros das larvas que eclodem dos ovos do mosquito aedes aegypti. Porém, caso tal medida tivesse sido tomada há anos, certamente não estaríamos na situação de agora. O problema é que, por incrível que pareça, há quem impeça que agentes da vigilância sanitária inspecionem suas residências. Hoje, o combate tem utilizado até soluções tecnológicas, como drones, para mapear áreas de risco e reservatórios de água parada. Sem a eliminação dos criadouros, nem as soluções encontradas até agora, como os mosquitos geneticamente modificados, serão capazes de deter o avanço das infecções. As autoridades estão se mexendo, mesmo que tardiamente. Mas a população precisa colaborar. Somente unindo esforços o País será capaz de deter a proliferação do aedes, eliminando de vez a dramática ameaça que paira sobre todos nós.
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