Morreu d. Alzira Antoniete, matriarca de grande família da região da Casa Seca


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D. Alzira Antoniete foi sepultada no Cemitério da Saudade, ontem, dia 3, às 10 horas
D. Alzira Antoniete foi sepultada no Cemitério da Saudade, ontem, dia 3, às 10 horas
Morreu em sua casa, no Jardim Riviera, em Franca, às 12h20 da terça-feira, dia 2, a senhora Alzira Alves Antoniete, aos 97 anos. Em novembro do ano passado, foi diagnostica com câncer em estado avançado. A fragi-lidade do organismo não permitiu que se submetesse a tratamentos de praxe. Absolutamente lúcida, enfrentou as últimas semanas com a mesma coragem e determinação que a fizeram matriarca querida e res-peitada de conhecida família da região da Casa Seca, entre Franca (SP) e Ibiraci (SP).
 
Deixou, viúvo, o sr. Domingos Antoniete, depois de 80 anos de vida em comum. Ele também tem 97 anos, datas de aniversários separadas por apenas dois dias — 28 de setembro, ele; 30, ela. Trabalharam ambos, ele como colono de propriedade rural na mesma região, plantando café. “D. Alzira, como todas as mu-lheres que fazem do casamento, da criação de filhos e do trabalho duro a razão de ser de suas vidas, deu conta de tudo. Soube, pelo sr. Domingos, que sua mulher muito amada jamais recla-mou de cuidar da casa, dos filhos, da alimentação e vestuário de todos e, ainda, de participar das duras atividades de plantio, cuidado e colheita do café que lhes significava o sustento de cada dia”, disse Dalva, sua nora.
 
Do casamento de Domingos e Alzira, nasce-ram os filhos, Eurípedes, primeiro casamento com Laura e segundo com Izanilde; Sirley, casada com Walter Pereira; José, casado com Darci; Maria Inês, falecida, casada com Nelson da Silveira; Messias, primeiro casamento com Darcy e segundo, com Clarice; Martinho, casado com Lúcia; Aparecido, primeiro casamento com Célia e segundo, com Cidinha; Maria da Penha, casada com Jaime Borges. Desses enlaces, o casal teve 32 netos (Shirley, Sérgio, Silvoney, Walteci, Olívio, Rosana, Silvana, Dirley, Dirlene, Marly, Danilo, Adriano, Waldir, Maria Alzira, Valdnei, Rosângela, Marcelo, Karina, Cristiana, Júlio César, Suelen, Alessandra, Alexandre, Alex, Ana Paula, Angélica, Cleiton, Leandro, Crislaine, Saviani, Lígia, Lucas), dezenas de bisnetos e tataranetos.
 
Todos os filhos participaram ativamente da vida na roça. À medida em que os negócios prosperaram, decidiram-se por comprar um sítio para os pais, na mesma região. Chamaram-no “São Domingos”, em homenagem ao pai. O casal morou lá até 12 anos atrás, quando a família entendeu que era o momento de trazê-los para Franca.
 
Domingos e Alzira exigiram apenas que a família continuasse perto e unida. “Minha sogra era uma mulher brava, séria e determinada. Sempre batalhou para que a unidade da família não se perdesse, e foi assim sempre. No sítio, os fins de semana eram inesquecíveis, com tantos filhos, noras, genros, netos, bisnetos. Esses encontros eram, li-teralmente, banhos de família. As crianças se divertiam enquanto aprendiam sobre o valor da união”, disse Dalva.
 
“Cerca de um mês antes de ter a doença diagnosticada — e nada havia em sua saúde ou semblante, que demonstrasse sequer sombra do que a esperava — esteve em nossa casa, comigo e Aparecido. Não imaginava que a perderíamos tão breve”, disse Cidinha, sua nora também. 
 
Inesquecíveis comemorações de Ano Novo, reali-zadas por anos no sítio e seguidas em Franca, constituíam outra rotina da família. “A cada ano, a família se tornava maior. Este ano, d. Alzira já adoentada, seu’ Domingos observou, com expressão mais fechada, que embora tivessem, ‘ele e sua Zirica’, quase cem netos, bisnetos e tataranetos, onde é que estavam eles que não os via nesses momentos tão bons?”, disse Dalva. “Falamos muito sobre os jovens de hoje e suas formas de ser com coisas de família, mas, no fundo, observei que a maior preocupação dele era com Alzira, que se debi-litava dia a dia”, observou Dalva, que completou: “Ele não arredou pé do velório de d. Alzira, mas, no final, me disse que não sabia se aguentaria ficar sem ela”.
 
O sepultamento, realizado com serviços da Funerária Tedesco, aconteceu ontem, dia 3, 10 horas, no Cemitério da Saudade.

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