A previsão era de que, em 2014, o prédio já estivesse atendendo até 240 crianças, se funcionando em dois turnos, mas, em fevereiro de 2016, a creche-escola do Santa Hilda ainda é um canteiro de obras. Após romper o contrato que mantinha com a empreiteira Gomes & Pace no último dia 8, a Prefeitura tem enviado, há cerca de duas semanas, pedreiros, serventes e eletricistas ao local para realizar serviços, que vão de acabamento a partes hidráulica e elétrica. Segundo relato dos servidores municipais, o ritmo de trabalho é acelerado e exige carga horária estendida. “Estamos fazendo horas extras até aos fins de semana e pedem para a gente vir trabalhar sem uniformes”, disse um funcionário que preferiu não se identificar, alegando medo de represálias.
Acompanhado pelo radialista da Difusora AM 1030 Marcelo Valim, que recebeu a denúncia, o Comércio esteve na creche na tarde ontem. No local, homens faziam limpeza de azulejos, reparos na parte elétrica, no encanamento, instalação de hidrante, acabamentos nos rodapés e, pouco antes da chegada da imprensa, boa parte dos muros internos havia sido pintada.
“Construímos muretas, rodapés e vamos consertando o que a empreiteira não fez: partes do banheiro que deveriam ter sido soldadas estavam coladas e não teve acabamento nenhum. A parte hidráulica, também entregaram sem fazer. Quando chegamos, a água não saía pelo cano.” Além disso, uma das colunas já apresenta rachadura, há vidros quebrados e a guia de entrada pela avenida Chafic Facury está quebrada.
Com investimento do Governo Federal por meio do programa Pró-Infância do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), a obra é estimada em R$ 2,2 milhões e já foi alvo de polêmicas. Em setembro do ano passado, uma reportagem do Comércio apontou sinais de abandono da obra.
Na ocasião, o portão de entrada pela rua Josephina Zinni Almada encontrava-se escancarado - embora materiais fossem abrigados no local -, o mato tomava conta do espaço e havia vidros quebrados e infiltrações. Em nota, o FNDE disse na ocasião que, se a Prefeitura tiver gastos adicionais por conta de atrasos, roubos ou vandalismo, os custos deverão ser financiados com recursos municipais.
“Caso o município não cumpra o objeto do termo de compromisso construção de unidade de educação infantil, o FNDE pode pedir de volta os recursos repassados pelo governo federal”, afirmou em setembro passado.
A Prefeitura
Na tarde de ontem, a reportagem entrou em contato com a Prefeitura para saber o que provocou a quebra de vínculo entre o município e a construtora Gomes & Pace; quanto chegou a ser pago à empresa; se há alguma ação na Justiça envolvendo as partes; quanto custará ao município ter assumido essas obras e quando devem ficar prontas; qual a expectativa para inauguração, entre outras questões que envolvem a jornada de trabalho e o caso dos uniformes apontado por pessoas ligadas à obra.
Em resposta, o secretário municipal de Planejamento Urbano, Nicola Rossano, disse que a rescisão foi unilateral “por descumprimento de contrato”, mas não especificou os motivos. Quanto a ter assumido a obra, informou que é de autonomia do município realizar obras direta ou indiretamente. “No caso específico, optou-se por execução direta dos serviços, por ser mais vantajosa para o município em razão de existirem poucos serviços a serem executados. Não procede a informação relativa aos uniformes.” As outras questões enviadas, não foram respondidas.
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