Bancos não sentem abalos da economia


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O Brasil vive um momento de crise em seus principais setores produtivos, além de renovar máximas históricas no nível de desemprego a cada novo levantamento feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O País perdeu o grau de investimento na avaliação de duas das três agências internacionais de risco, sua moeda segue se desvalorizando ante o dólar e indústria e agricultura registram resultados desanimadores a cada mês. Ainda assim, bancos continuam divulgando lucros cada vez maiores no Brasil, na contramão dos setores que produzem. Em meio aos números negativos de todos os setores produtivos, não há instituição brasileira que, nos últimos anos, tenha apresentado prejuízo.
 
A maioria dos analistas econômicos vê nesta situação um paradoxo difícil de explicar, ainda mais quando se vê que o setor bancário internacional não apresenta números tão positivos, mesmo com uma economia mais equilibrada. Um claro exemplo disso é o Santander, de matriz espanhola, que apresentou um resultado surpreendente em 2015 numa América Latina onde a crise aportou nos últimos anos. Teve lucro de 10% (contra 13,5% no Brasil), o mesmo ocorrendo na Espanha, com uma crise de desemprego que vem afetando o país europeu. Porém, na mais forte economia o mundo, os Estados Unidos, o Santander teve queda de 21,3% em seu lucro de 2015, que somou US$ 773,21 milhões. No somatório de todo o grupo no quarto trimestre de 2015, o desempenho também recuou; o lucro líquido foi de US$ 27,12, ante o US$ 1,46 bilhão registrado em igual período de 2014.
 
O resultado das demais instituições bancárias do País também tem sido de grandes lucros, principalmente por causa dos juros estratosféricos que afetam a concessão de empréstimos e o cartão de crédito, dois dos principais causadores de uma inadimplência recorde. Mesmo assim, o governo divulgou um pacote onde permite o comprometimento de parte do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) para a garantia do pagamento do empréstimo consignado (descontado no contracheque) em caso de demissão. Para o Planalto, trata-se de uma forma de evitar o endividamento do trabalhador. Para analistas, uma blindagem aos bancos, que já lucram muito, contra um eventual calote. A maioria acredita ser esta última a razão para a medida, principalmente por causa do forte lobby dos bancos que continuam tendo lucros recordes. Ao contrário de qualquer outro setor da economia brasileira.
 
 
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