Artesp admite que pressão pode barrar pedágios em vias da região


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o deputado Roberto Engler (PSDB) disse que ‘caiu do cavalo’ ao acreditar em Geraldo Alckmin
o deputado Roberto Engler (PSDB) disse que ‘caiu do cavalo’ ao acreditar em Geraldo Alckmin
O governo do Estado apresentou, ontem, em Araraquara (SP), o projeto de novas concessões de rodovias para as populações das cidades que fazem parte do lote C do programa. São 1.010 quilômetros de pistas e 50 municípios atingidos, entre eles, os da região de Franca. Araraquara foi escolhida para sediar a audiência pública por estar no centro geográfico do lote. Durante a reunião, foi confirmada a intenção do governo de instalar duas praças de cobrança nas rodovias Cândido Portinari e Ronan Rocha. Diante da reação contundente das lideranças regionais, a Artesp (Agência de Transporte de São Paulo) admitiu que a pressão popular poderá fazer com que o governo do Estado desista da ideia.
 
A região de Franca marcou presença em peso no encontro. Participaram o deputado Roberto Engler (PSDB), os prefeitos de Rifaina, Abrão Bisco; Pedregulho, Zezinho do Galego; Cristais Paulista, Miguel Marques; Patrocínio Paulista, Marcos Ferreira; e de Itirapuã, Rui Gonçalves; além dos vereadores de Franca Marco Garcia (PPS), Adérmis Marini (PSDB) e Laercinho (PP).
 
A caravana quebrou o protocolo da audiência pública. Normalmente, a plateia não se manifesta. Faz apenas perguntas por escrito, que são respondidas ao fim da reunião, sem que haja espaço para réplica. Mas Engler exigiu que pudesse falar. Como o precedente foi aberto, Prefeituras, Câmaras e a sociedade civil também tiveram direito de se manifestar.
 
Engler falou em nome dos deputados e distribuiu dezenas de panfletos em que manifestou sua posição “frontalmente contrária” à inclusão de novas praças de pedágio na região. “Todas as obras e melhorias previstas para estes trechos de rodovia já estão prontas ou em andamento com recursos próprios do governo e a simples manutenção e conservação pode, perfeitamente, continuar a cargo do DER. É um equívoco tremendo, uma grande injustiça colocar dois pedágios na região sem que haja investimento.”
 
O deputado lembrou do compromisso feito pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), de que as pistas seriam duplicadas sem que fosse preciso instalar novos pedágios. “A abertura das praças de cobrança seria, não só uma injustiça, como um rompimento da palavra do próprio governador. Caí do cavalo em acreditar. O governador está faltando com a palavra. Falou e não está cumprindo.”
 
Presidente da Câmara de Franca, Marco Garcia foi o escolhido para falar em nome do Poder Legislativo dos 50 municípios. “O investimento na nossa região será zero. Nós iremos apenas pagar a conta de outros municípios e, isso, não aceitaremos. A concessionária não terá o que fazer. Vai apenas instalar a cabine e recolher o dinheiro do povo. Ninguém vai nos enfiar goela abaixo. Por isso, vamos parar as rodovias em protesto.”
 
Em seguida, Marco criticou o deputado federal e secretário estadual de transportes, Duarte Nogueira, que não apareceu na audiência pública. “Ele foi muito bem votado na região, mas se acovardou de não comparecer. Se fosse duplicar sem pedágio, estaria aqui para fazer a média política. Que fique registrado o meu repúdio.”
 
Com caras de poucos amigos, os técnicos da Artesp pediram que o vereador encerrasse o contundente discurso.
 
Rodrigo Campos, diretor de assuntos institucionais da Artesp, disse que nenhum pedágio colocado no projeto ainda é realidade e que a opinião da sociedade será levada em consideração. Ele admitiu que a pressão feita por Engler e Garcia poderá ter interferência na decisão. “A Artesp e o governo do Estado, obviamente, respeitam muito a palavra do deputado e do vereador. Vamos, sim, levar em consideração. Como eles são conhecedores da região e sabem das necessidades da população, serão, sim, levados em conta antes que qualquer medida venha a ser tomada em caráter definitivo pelo Estado”, afirmou Campos.
 
Na sexta-feira, os líderes regionais vão fazer uma manifestação, às 17 horas, no quilômetro 417 da Cândido Portinari. A Artesp está acompanhando o movimento e admite que a voz do povo será avaliada pelo governo. “O protesto é uma sinalização da população a respeito de eventual colocação de futuras praças de pedágio. Estamos olhando, estamos atentos e gostaríamos de fazer um projeto que atendesse o interesse de toda a população”, concluiu o diretor da Artesp. 
 

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