Servidores municipais vão mover 850 processos contra a Prefeitura


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O presidente do Sindicato, Fernando Nascimento, diz que ações contra servidores cresceram na administração Alexandre Ferreira
O presidente do Sindicato, Fernando Nascimento, diz que ações contra servidores cresceram na administração Alexandre Ferreira
Enfermeira confirma à CEI (Comissão Especial de Inquérito), aberta pela Câmara para apurar problemas na Saúde, que pronto-socorro infantil está tomado por baratas e é punida com uma suspensão de dois dias. Analista de sistema ironiza no Facebook que Alexandre Ferreira (PSDB) é o melhor prefeito da “via láctea” e pega gancho de quatro dias. Socorrista do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) afirma que viaturas estão sucateadas e é transferido à força. Professores e médicos fazem greve e também são removidos à força. Não faltam exemplos para mostrar a existência da “lei da mordaça” na Prefeitura de Franca. 
 
No ano passado, a Comissão de Sindicância interna abriu 152 processos administrativos contra os servidores. De acordo com o sindicato da categoria, cerca de 80% dos casos resultaram em algum tipo de punição, como advertência e suspensão. “Tudo isso são situações de perseguição pós-greve. É triste ver que um governo está agindo desta maneira. O prefeito abre os procedimentos para tentar fazer coação contra os servidores”, afirmou o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais, Fernando Nascimento. 
 
O contra-ataque está sendo preparado. A maneira nada democrática com que o governo se relaciona com os seus funcionários vai resultar em uma enxurrada de ações trabalhistas contra o município.
 
O Sindicato está finalizando 850 processos individuais que serão ingressados contra a Prefeitura na Justiça do Trabalho. “Vamos denunciar casos de perseguição, assédio moral, férias pagas fora do prazo e acusações inverídicas de faltas sem justificativa e de insubordinação. Entraremos na Justiça para que se faça realmente justiça contra uma administração maldosa contra o servidor municipal. O servidor tem o direito de se expressar e de achar que um governo é ruim”, disse Nascimento.
 
O sindicalista culpa o secretário de Administração, Humberto Mazza, pela onda de processos trabalhistas que o município terá de responder. “Ele faz a denúncia contra os servidores, julga e pune. Todas as defesas que fazemos nunca são favoráveis aos trabalhadores. Sempre temos que entrar na Justiça, o que é desgastante e se torna muito caro para o município. Não vamos nos calar e continuaremos brigando pelos nossos direitos”, disse.
 
Levantamento feito pelo Sindicato mostra que as ações trabalhistas cresceram ao longo do governo Alexandre Ferreira. Em 2013, primeiro ano da atual administração, foram 115 processos na Justiça do Trabalho contra a Prefeitura. Em 2014, foram 210. O número saltou para 527 no ano passado. Agora, serão pelo menos 850. “A razão para a explosão dos processos é a maneira truculenta e arbitrária do prefeito, que se intensificou após as greves”, concluiu Fernando Nascimento.
 
Silêncio
A assessoria de comunicação da Prefeitura foi informada sobre o teor desta reportagem. O Comércio solicitou entrevista com o secretário Humberto Mazza para comentar as afirmações feitas pelo Sindicato dos Servidores. Até o fechamento desta edição, nenhuma resposta foi dada.
 
 

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