Morreu na Unidade de Tratamento Intensivo do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, na manhã de ontem, dia primeiro de fevereiro, Paulo Vergílio da Silva, aos 76 anos. No dia 2 de janeiro foi internado no HC para passar por cirurgia de fígado, após diagnóstico de câncer. O procedimento cirúrgico teve êxito e Paulo foi transferido ao quarto. Três dias depois, contraiu infecção. O processo se generalizou nas semanas seguintes. Ontem, muito debilitado por sucessivas falências de órgãos, não resistiu.
Paulo deixou, viúva, Aparecida da Silva, depois de 54 anos de casamento. Tiveram cinco filhos (Aparecida de Fátima, casada com Sérgio Luiz Colombari; Sandra, casada com Ronaldo Aparecido de Oliveira; Renato, casado com Ana Lúcia; Paulo Fernando; e Antônio Vergílio, falecido), sete netos (Rodrigo, Fabrício, Talita Cristina, Priscila Tatiana, casada com Felipe Camargo; Letícia, Bianca e Renato Filho), e dois bisnetos, Lucas e Davi.
“Papai e mamãe se conhe-ceram na praça da Estação naqueles finais de semana que os rapazes iam para a praça, paravam na parte de fora das calçados e as moças andavam em direção contrária na parte de dentro. Depois se casaram e formaram a linda família que temos”, disse Aparecida de Fátima, filha.
“Sempre moramos na Vila Santa Luzia. Papai trabalhou na área calçadista, primeiro na Indústria de Formas Francana. Se aposentou depois de 27 anos, na Indústria de Calçados Agabê. Depois, ele e mamãe ainda abriram banca de costura manual. Fez, por onde passou, amizades duradouras”, completou.
Seu irmão, Pedro, consi-dera o pai um dos construtores da história da Vila Santa Luzia. “Ele tinha duas características. Uma, a da dedicação à família. Outra, a capacidade de estar disponível para ajudar quem precisasse, em qualquer hora”, disse. “Na época em que o bairro ainda começava, ajudou a muitas famílias na hora de partos, já que sempre teve seu carrinho. Bastava saber que ‘era chegada a hora’ e lá estava ele para conduzir à Santa Casa. Vibrava com cada nascimento. Também adorava futebol. Fundou e presidiu, por anos, o time de futebol da Vila Santa Luzia, que fez história nos campeonatos varzeanos”, completou.
O radialista esportivo Marcos Silva, da rádio Difusora, confirma. “Realmente ‘seu Paulo’ foi um dos baluartes do esporte amador de Franca. Todo mundo sabe a dificuldade que é montar e manter time de futebol e, na época dele, era mais difícil ainda. Fazia tudo, desde levar o saco de camisas, as bolas e, se fosse preciso, até os jogadores ao local das partidas. O time dele até formou atletas para a A.A. Francana, como o Osmarzinho, lateral direito. A verdade é que, com o time, tornou ainda mais conhecida a Vila Santa Luzia”, disse.
O que fez pelo futebol amador e, indiretamente, pelo bairro, também teve reco-nhecimento da Câmara Municipal de Franca. O vereador Olien Olien Sanches, já falecido, prestou homenagem a ‘seu Paulo’, segundo se lembrou Marcos Silva. A família tem muito orgulho do título. O atual vereador Nirley de Souza, que trabalhou com Paulo por nove anos na Agabê, disse que perdeu um bom amigo. “Paulo era um homem decente e trabalhador. Depois que aposentamos, fui algumas vezes à casa dele. Era um lar feliz, bem humorado. Paulo era corintiano roxo, e eu, santista. Suportei muita brincadeira dele, e ainda me lembro do quanto a gente ria e chorava por causa de nossos times. A família de ex-funcionários da Agabê ficou mais pobre com a partida dele”, disse Nirley.
“Para meu pai, o que era dele era dos filhos e da família, mas também gostava de partilhar com a comunidade carente do bairro. Foi convidado para entrar na política e disse ‘não’. Fazia porque achava que devia fazer. Foi um homem feliz. Formou família à sua imagem e semelhança, foi referência em seu trabalho e fez dife-rença na vida de muitas pessoas”, completou o filho Paulo.
O velório acontece no São Vicente de Paulo, sala 2. Sepultamento está marcado para as 13 horas de hoje, com serviços da Funerária Tedesco, no Cemitério Santo Agostinho.
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