A faxineira


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Luis Inácio da Silva é um brasileiro com história que começa na miséria e vai com a família tentar a sorte em cidade grande. 
 
Em São Paulo, conjugação de fatores transforma Luis Inácio em Lula, criado por intelectuais e imprensa para preencher o imaginário popular em um momento singular da história: final do período de governo militar, o povo sedento por líderes que estimulassem a esperança por liberdade, igualdade. 
 
O personagem Lula encarnou com perfeição o papel, expondo a origem humilde, jeito errado de falar, o apelo de “gente do povo”. 
 
Sua energia para falar às multidões era imbatível, capacidade de não entrar em bolas divididas e de adaptar o discurso à qualquer plateia tornou Lula um dos mais importantes líderes populares da história do Brasil. Por quarenta anos seus seguidores bradam a história do “pobre migrante nordestino”que venceu.
 
Em nome do pobrismo, qualquer fala absurda ou atitude questionável dele foi relevada. Presidentes, reis, papas, rainhas, bilionários, acadêmicos e figuras proeminentes viram-se fascinados diante de sua figura icônica.
 
Iniciativas de quem tentou atingir Lula, de forma direta ou indireta, fracassaram. Houve o “Cansei”, movimento de empresários de São Paulo em reação a indícios de corrupção que começavam a pipocar. Foi ridicularizado. 
 
O pedido de impeachment de Dilma Rousseff assinado por Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr., acolhido pelo presidente da Câmara Eduardo Cunha recebeu rótulo de golpe. Esteve sempre claro: nada que viesse “de cima” ou “de lado”, atingiria Lula. Tinha que vir de baixo. 
 
O ‘Jornal Nacional’ transmitiu, quinta-feira, reportagem onde o Brasil via, pela primeira vez, não um vizinho, mas humilde faxineira e humilde zelador, dizendo que o ‘triplex pertence a Lula’. 
 
Agora não tem jeito. A casa caiu. Quem acusa tem a mesma proteção de Lula. São humildes e representam a única parcela da população da qual “eles” têm medo: o povo. 
 
 
Luciano Pires
Jornalista, escritor, palestrante, cartunista

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