As revelações quase diárias da investigação das operações Lava Jato e Zelotes, levadas a efeito pela Justiça Federal, são estarrecedoras. Indícios e provas de enriquecimento ilícito são abundantes, envolvendo principalmente políticos que apresentam um incremento do patrimônio pessoal, na maioria das vezes usando empresas off-shores e laranjas para não se verem enredados nos processos que se abriram nos últimos anos e começam a atacar a corrupção endêmica que atinge até o centro do poder, em Brasília. Além destas duas, mais vistosas e barulhentas por causa das personalidades envolvidas, há outras, como a que apura o desvio de dinheiro da compra de alimentos para a merenda escolar e envolve assessores diretos do governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB).
A necessidade, hoje, é de que toda esta relação espúria de agentes políticos com desvios do dinheiro público para os próprios bolsos seja devidamente apurada, os implicados julgados e condenados. Ao contrário do que diz o ex-ministro José Dirceu, preso pela Lava Jato em Curitiba, principalmente no meio político ninguém faz nada somente por amizade. Quem conhece os meandros das relações entre agentes públicos e iniciativa privada sabe muito bem que existe aí uma ação de troca. Ninguém reforma o imóvel de outrem assim, de graça. O troca-troca ocorre em todos os níveis, desde o município. Em Franca, trocaram-se muitos caminhões de terra por apoio político. Nenhum administrador eleito parece que não consegue governar se não transigir, ‘negociando’ cargos, o que é uma lástima. No Brasil, esta troca chega às raias do absurdo, principalmente quando a administração pública é loteada e acaba sendo utilizada para esquemas de fraudes e desvios do dinheiro que falta à grande maioria dos brasileiros.
O Brasil só poderá encarar um novo futuro e atacar os principais problemas que atingem grande parte de sua população se o dinheiro dos impostos for revertido em favor de todos. O uso do público como se privado fosse, por políticos e administradores, não pode ser encarado como normal. O brasileiro não pode mais aturar aquele que “rouba mas faz”, pois a roubalheira desvia bilhões do dinheiro que deveria estar sendo destinado à saúde, à educação e ao saneamento básico, que ainda estão longe de ser pelo menos satisfatórios. Cabe a todos identificar quem usa a demagogia, o populismo (que impede o País de crescer adequadamente) e a corrupção como meio de vida. Todos aguardamos que a Justiça faça a sua parte, mas devemos utilizar os meios para defenestrar corruptores e corruptos da vida brasileira. Só assim legaremos aos nossos descendentes um País grande, justo e que seja motivo de orgulho.
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