Morreu Peixotinho, reconhecido como referência francana da técnica de ‘martelinho de ouro’


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Peixotinho foi sepultado  dia 28, no Cemitério da Saudade
Peixotinho foi sepultado dia 28, no Cemitério da Saudade
Morreu em sua casa, no dia 28, 14h30, o conhecido profissional da técnica de ‘martelinho de ouro’, Roberto Umbelino Peixoto Júnior, o Peixotinho. Tinha apenas 42 anos. Em 2010, teve diagnosticado câncer agressivo na face, sujeito a imediata cirurgia. Consciente de que a operação poderia gerar recidivas que lhe causariam problemas ainda maiores, decidiu-se por enfrentar incontáveis sessões de quimio e radioterapia necessárias. 
 
As fez em clínica da cidade de São Paulo que conta com equipamento específicos para esse tipo de tratamento; outra parte no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, atendido pelos professores Colli e Fernando Veríssimo; e no Hospital do Câncer de Franca, sob cuidados do dr. José Reinaldo de Paula Tasso. A esses profissionais, sua família reserva especial gratidão. 
 
Em 4 de março de 2015 não houve jeito. A cirurgia tão prorrogada se tornou indispensável, e a recidiva prevista, também se registrou, ainda mais agressiva. Semana passada, passando longas horas dormindo e se alimentando mal, foi internado no Hospital Regional de Franca. Dia 27, muito debilitado, quis voltar à sua casa. Médicos e familiares concordaram. Dia seguinte, registrou-se seu óbito.
 
Era filho de Roberto Umbelino Peixoto e Ana Cristina Barini Peixoto, paulistanos. Nasceu em São Paulo a exemplo de seus irmãos Lucineia (casada com Fransérgio Martins) e Kelly. Na capital, o pai dirigia empresa própria na área de alimentação. Peixotinho e Lucineia, no contraturno escolar, participavam do trabalho, sabedores do valor do trabalho.
 
Em 1991, a família, em busca de cidade onde pudesse desfrutar de melhor qualidade de vida, decidiu-se por se mudar ao interior do Estado. A escolha por Franca foi unânime. Aqui, o pai instalou em esquina da praça da caixa d’água da avenida Brasil, o primeiro equipamento de lavagem rápida de automóveis da cidade, e fez boa clientela. Com ele, no trabalho duro, toda a família. Peixotinho já revelava, à época, jeito para cuidado estético com os carros, e quando os polia, não se conformava com amassados que observa. O negócio progrediu. O pai fechou acordo com distribuidora de combustíveis e no mesmo local instalou, também, posto de abastecimento. Atingido por alergia a derivados de petróleo, e já em tempo de aposentadoria, Peixoto resolveu vender o negócio. Peixotinho, no entanto, já sabia o que queria fazer dali em diante. ‘Disse-me que queria aprender tudo sobre ‘martelinho de ouro’. O apoiei. Ele foi para São Paulo e só voltou depois de especializado no assunto. Tornou-se o melhor de sua área’, disse Peixoto. 
 
Peixotinho abriu empresa em Franca, na rua Santos Pereira. Em cinco anos, viu-se obrigado a buscar local maior para manter e atender melhor a clientela que crescia. Mudou-se para a avenida Brasil e lá conduziu seus negócios por sete anos, empregando 20 funcionários. ‘Para vencer na vida, e cuidar da família, e ter saúde e lazer, é preciso trabalhar muito enquanto ainda se é jovem’ era sua resposta sempre na ponta língua para quem lhe perguntava por que trabalhava tanto, e sem férias. Sua irmã Lucineia confirma. ‘O outro nome de meu irmão era trabalho. Seu plano era trabalhar duríssimo para ter um futuro de alegria e saúde. Hoje, tenho quase certeza de que ele, inconscientemente, já sabia o que lhe reservava o futuro’, disse, emocionada.
 
Peixotinho deixou, viúva, Isabel Cristina dos Santos Peixoto. Tiveram dez anos de casamento e uma filha, Heloísa. ‘Adorava a mulher, a filha, os sobrinhos Raphaela e Gabriel, sua família, os amigos. Era o rei do relacionamento e essa característica sua, aliada à competência e à capacidade de trabalho, o tornou referencial em seu trabalho e em sua vida’, disse a irmã.
 
Sua empresa, ele vendeu ano passado entristecido pela compreensão de que não poderia voltar ao trabalho. ‘Penso que mesmo com todo o amor e carinho que família, amigos e clientes lhe dedicaram, ele, que nunca se queixou das tristezas que a doença lhe causou, teve ampliado o medo do que sua consciência racional lhe dizia que estava por acontecer. Tornou-se calado, triste, e nós, que o amávamos, com ele. Mas o respeitamos. Meus pais perderam um filho, e nós, o irmão querido, mas não apenas. Perdemos um grande companheiro cuja presença nos enriquecia a vida. Mas, afinal, esta é a vida. Nem tudo é alegria’, comentou a irmã.
 
O velório, com culto celebrado pela Congregação Cristão do Brasil, foi no São Vicente de Paulo. Sepultamento, com serviços da Funerária São Francisco, foi realizado dia 28, no Cemitério da Saudade.

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