Uma placa já corroída pelo tempo, instalada ao lado do prédio onde deveria estar funcionado a UPA do Jardim Anita, na zona Oeste de Franca, informa: “Término da obra 30/07/2014”. Um ano e seis meses depois, a unidade de pronto atendimento ainda não foi entregue à população. E não será tão cedo. Quem passa em frente, imagina que esteja tudo pronto. Vizinhos não veem movimentação de operários no local há meses. Mesmo diante deste cenário, a Prefeitura prorrogou, ontem, por mais 150 dias, ou seja, cinco meses, o prazo para a construtora concluir os serviços. Coincidirá com o período de abertura da campanha eleitoral.
A publicação informando o aditamento, feita no Diário Oficial do Município, não explica as razões. “Contrato fica prorrogado por mais 150 dias, de acordo com a cláusula quinta item 5.2 do contrato, conforme solicitação da Secretaria de Planejamento Urbano”, diz o texto. E só. Não consta quanto a construtora ganhará a mais.
A obra, iniciada em agosto de 2013, foi prevista para custar R$ 3 milhões. Não foi a primeira vez que o contrato foi prorrogado. Em junho do ano passado, a Prefeitura já havia aditado o prazo para a empreiteira entregar a obra. Para isso, a Conspen Construções receberia mais R$ 50.255,28. A Prefeitura foi questionada pelo Comércio sobre os motivos e quanto a nova prorrogação custará aos cofres públicos. Os pedidos de explicação não foram respondidos.
A UPA é construída por meio de uma parceria entre o município e o governo federal, cuja contrapartida foi de R$ 1,4 milhão. O Ministério da Saúde informou que está em dia com os pagamentos e que a última parcela, no valor de R$ 400 mil, só será repassada quando a Prefeitura comprovar que a obra está pronta e em pleno funcionamento.
O município foi notificado para justificar o atraso. Segundo monitoramento do governo, o serviço estaria 98% concluído.
Pronto e fechado
Embora ainda vai demorar cinco meses para a UPA ser entregue, em novembro do ano passado o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) publicou edital autorizando a “diretora” da unidade abastecer o carro particular em até 90 litros por mês no posto de combustíveis da Prefeitura.
A porta da UPA fica sempre trancada. Um vigia com cara de poucos amigos e com um inseparável palito de dentes na boca se encarrega de proibir a entrada de visitantes indesejáveis. Enquanto a Prefeita empurra a entrega da unidade de saúde para o segundo semestre, a população da região é obrigada a se deslocar até o Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” quando precisa de atendimento médico. “Lá dentro está tudo pronto. Não vejo gente trabalhando lá há mais de seis meses. A UPA faz muita falta para a gente”, disse a comerciante Joice Regatiere de Oliveira.
Também comerciante no bairro, Nilton Domingos Cristiano acredita que Alexandre Ferreira esteja segurando a entrega da UPA por motivação eleitoral. “É por causa da campanha política. Eles querem inaugurar quando começar a campanha. Tinha que abrir agora, pois os moradores do bairro estão sendo prejudicados.”
A UPA terá 1,5 mil metros quadrados de área construída, funcionará nos moldes de um pronto-socorro e terá capacidade para atender, em média, 200 pessoas por dia.
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