Morreu na Santa Casa de Misericórdia de Franca, 9h30 de ontem, quinta-feira, a senhora Luzia Rita de Souza Pinheiro. Tinha 75 anos. Era paciente de hemodiálise e hipertensa. Na terça-feira, dia 26, acordou com crise de pressão e desconfortos físicos. Foi levada Ao PS “Álvaro Azzuz”. Lá permaneceu até o dia seguinte. Por solicitação médica, foi enviada à Santa Casa, com indicação de aprofundamento de diagnóstico.
Submetida a exames, teve constatado grave problema intestinal, e indicação de cirurgia urgente. Luzia, consultada pelas filhas, decidiu-se por voltar à sua casa para tomar a decisão. Dia seguinte, muito cedo, pediu as filhas que a levassem à clinica nefrológica onde fez hemodiálise nos últimos nove meses, depois da falência de um de seus rins. À porta de casa, já no carro de uma das filhas, teve parada cardiorrespiratória. O Samu, chamado, fez a ressuscitação e se dirigiu à Santa Casa, onde foi atendida, mas não resistiu.
Estava viúva há 9 anos do motorista de táxi Orlando Vicente Alves. Teve, com ele, 35 anos de casamento e uma filha, Susana. De casamento anterior, com Sebastião Caires, nasceram duas filhas, Maria Aparecida, viúva; e Ilza, casada com Manoel Marcelo.
“A história de mamãe é linda. Disputada cozinheira, trabalhou por bom tempo em casa de família onde também trabalhava o motorista, Orlando. Conheceram-se, se agradaram um do outro, mas não estabeleceram vínculos. Ela se casou, Orlando também. Num certo dia, reencontraram-se e decidiram que queriam viver juntos. Foram 35 anos de casamento. Ela sempre disse que ele era o homem de sua vida, quem mais amou; e ele, que ela era foi a mulher que nunca esqueceu e com quem queria viver o restante de sua vida”, recordou-se Susana.
Luzia fez carreira como cozinheira de altos predicados. Trabalhou na Sociedade dos Cegos, no Hospital Regional e no Clube dos Bagres dos bons tempos. Orlando mantinha seu ponto de táxi na praça da Estação até se aposentar.
Ele morreu em 2012. “Depois da morte dele, ela não foi mais a mesma. Diria que seus problemas de saúde se agravaram por conta da perda. Penso que a história dos dois é digna de literatura. Certamente agora estão juntos de novo”, disse Susana. “Dedicaram-se totalmente a nós, suas filhas. Era bonito vê-los sempre disponíveis, fosse qual fosse a situação. Não tiveram instrução escolar, mas a vida lhes ensinou educação, respeito ao outros, solidariedade. Eu ia ao trabalho, longe, mas podia sempre esperar meu pai, no horário do almoço, chegando com marmita que mamãe preparava e um bilhete, em papel simples, com a letra insegura dela e a mesma mensagem, todos os dias: “te amo, minha filha”, contou Susana.
Em 2014, para atender a um desejo da mãe, a família seguiu em excursões a Termas dos Laranjais e a Ubatuba, já que Luzia Rita sonhava em ver o mar. “Ela ficou maravilhada. Mamãe foi, verdadeiramente, uma mulher feliz. Trabalhou, teve filhos. Sobretudo, viveu ao lado de quem mais amou na vida”, completou a filha.
O velório de Luzia está no São Vicente de Paulo, sala 2. O sepultamento, com serviços da Funerária Tedesco, será às 9 horas de hoje, no Cemitério da Saudade.
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