Seus passos ainda eram inseguros e trôpegos. Não caminhava, corria a corrida da inocência. Do desapego ao perigo.
Naquela manhã o mar estava calmo. Parecia que estava de prontidão, vestido para receber um convidado novo, o menino. Devia ter uns dois anos e com certeza era seu primeiro contato com aquele gigante.
Como disse, correu apressado em direção àquela maravilha e estacou de repente.
O adulto que o acompanhava me pareceu ser o avô, correu atrás do garoto e também estacou; como que querendo proteger e ver ao mesmo tempo a reação do neto.
Este parado recebeu o primeiro toque das ondas nos seus pezinhos e pulou para trás entre assustado e intrigado.
O mar o cumprimentou molhando - o suavemente. O menino então se virou com o dedinho na boca e sorriu para o avô que o observava atento.
Na sua expressão havia todo o encantamento daquele momento.
Rodopiou sobre si mesmo e correu intrépido em direção ao oceano que roncava mansamente sobre as areias.
O avô se esqueceu da idade e correu ágil como provavelmente não imaginava ainda ser; e alcançou o netinho salvando-o da onda forte que poderia tragá-lo.
Entre gritinhos e risadas, saíram os dois molhados e batizados pelo gigante festivo.
Correndo juntos os dois para a segurança do guarda-sol, pensei sentada em minha cadeira: “Aqui vai o velho e o novo, todos os dois igualados pela majestade soberana deste oceano milenar. Juntos em dueto na alegria, grandeza e respeito ao mistério da natureza.”
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.