Após um breve recesso, estou de volta. Para brindar nosso primeiro encontro de 2016, trago informações com potencial de incendiar o ninho tucano, no momento em que o PSDB começa a se preparar para as eleições de outubro. Tomei um café com o ex-prefeito Sidnei Rocha ontem à tarde. Aqui mesmo, na sede do GCN, poucos minutos antes de Sidnei rumar para São Paulo onde participa, hoje, da reunião do Conselho da Sabesp.
A primeira pergunta foi óbvia: o senhor vai ser candidato a prefeito? “Eu tenho 50% de chance de ser o candidato, como tenho 50% de não ser. Ainda não tomei uma decisão.” Poderá disputar as eleições por outro partido? “Apesar de uma lealdade muito grande ao PSDB, a minha lealdade maior é com Franca.”
No último domingo, Alexandre Ferreira disse ao Diário da Franca que Sidnei seria o coordenador de sua campanha. Perguntei se era verdade. “Não, de jeito nenhum, de jeito nenhum... Eu já o elegi uma vez. Ele, agora, já deve ter aprendido a caminhar sozinho. Então, que caminhe sozinho, se for ele o candidato.”
Como a prosa estava boa, lembrei Sidnei que ele havia preparado Alexandre para sucedê-lo e perguntei se o afilhado foi um bom aluno. “Politicamente, ele foi um ‘elefante numa cristaleira’, foi muito mal. Acabou se indispondo com um monte de gente. A gente percebe que a população não dá um apoio político forte a ele. Foi inábil, eu esperava mais.”
Não que eu quisesse criar intrigas - longe de mim! -, mas perguntei o que aconteceu para o caldo de Alexandre ter entornado. “Ele mudou muito depois que assumiu a Prefeitura. Talvez, tenha se deslumbrado com o cargo e fez algumas trapalhadas que deixaram ele mal com muitos segmentos da sociedade.”
Sidnei afirmou que a arrogância foi um fator que prejudicou muito Alexandre. “A própria declaração que ele deu a outro órgão de imprensa, dizendo que eu irei ser coordenador da campanha dele, é de uma arrogância brutal. Como quem diz: ‘O máximo que o Sidnei pode é ser meu coordenador’. Quando, na verdade, eu o fiz. Eu pus ele na Prefeitura. Falta tato ao Alexandre.” O off da conversa, eu não posso publicar.
Queimou o filme: Roberto Engler entrou para a história de Franca ao receber 122,5 mil votos para deputado estadual. Cumprindo o sétimo mandato na Assembleia Legislativa, nada parecia abalar a sua imagem e credibilidade. Mas, ele saiu da zona de conforto e mergulhou num infernal astral por conta da decisão do governo do Estado de instalar dois pedágios na região.
O deputado sempre usou como bandeira política a promessa de que a rodovia Cândido Portinari seria duplicada sem que o usuário da pista tivesse de pagar a conta. “Confirmado pelo governador: duplicação sem pedágio. Trabalho nosso, conquista de todos. Muito obrigado, governador Alckmin”, diz uma das propagandas.
Com a confirmação de que a região poderá ganhar dois pedágios, Engler viu o seu filme queimar com os eleitores. Suas propagandas em que aparece abraçado com o governador, viraram meme e estão bombando nas redes sociais.
O deputado admitiu à rádio Difusora que sofrerá estrago político. Disse que a relação com Alckmin ficará estremecida. Ele está decepcionado com o governador. Fará pressão para tentar evitar a vinda dos pedágios. Avalia qual estratégia usará para minimizar os impactos negativos. Gilson de Souza nunca esteve tão feliz.
Luz no fim do túnel: O projeto de concessões de novos trechos de rodovias em Franca será apresentado segunda-feira, dia 1º, em Araraquara. Políticos estão se organizando para protestar contra a instalação dos novos pedágios. A pressão popular é a única maneira de evitar que a região ganhe este presente de grego do governador.
Edson Arantes
jornalista - edson@comerciodafranca.com.br
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