A sinalização das bancadas do PT na Câmara e no Senado, de que vão barrar a reforma da Previdência e outras medidas do ajuste econômico, é mais um complicador para o governo de Dilma Rousseff.
Se seu partido e o PMDB, seu maior aliado, são contrários às suas ações e decisões, o governo está politicamente órfão.
O ‘fogo amigo’ desfechado pelo PT e suas lideranças, inclusive seu criador político, o ex-presidente Lula, somado ao ativismo da CUT e do MST sempre ao lado do partido e contra o governo, tornam a presidente cada dia mais sujeita ao impeachment. Que o país necessita de ajustes e reformas é indiscutível, mesmo que muita coisa que tem de ser ajustada é resultado do desajuste político dos governos petistas de Lula e da própria Dilma. Difícil prever se os problemas se resolveriam com afastamento puro e simples da presidente.
Salvo melhor juízo, o seria suficiente. É necessário devolvam confiança a investidores e convencer a sociedade de que acabou o período fanfarrão e perdulário.
O governo tem que reduzir o custo de sua máquina para que os impostos arrecadados sejam suficientes o bastante para garantir saúde, educação, trabalho, moradia, segurança e outros serviços básicos à população, previstos constitucionalmente.
Também precisa acabar a explícita política do ‘toma lá, da cá’, que o governo pratica com o Congresso e os partidos políticos. Tudo o que extrapola disso, é combustível para crises como a que vivemos.
Muito mais do que ajustes ou reformas pontuais, o Brasil de hoje carece de ampla reforma de conceitos, e urgentemente.
Ou assume de vez o regime parlamentarista pretendido (mas não conseguido) por expressiva parcela dos constituintes de 88, ou expurga do presidencialismo as fraquezas que o tem tornado vulnerável ao longo das ultimas três décadas. Feito isso, reformas pontuais virão como consequência...
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
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