A manifestação do procurador da República Frederico Paiva, ontem, deixa bastante claro que combater a corrupção no Brasil vai ser bastante difícil. Ele disse que o Ministério Público Federal não deve conseguir provar o recebimento de propina por políticos com mandato no esquema de compra de medidas provisórias no Congresso e no governo, investigado na Operação Zelotes. E tudo pode ainda prejudicar a Lava Jato, que descobriu o maior esquema de fraudes, pagamento de propina e saques ao caixa de nossa maior empresa estatal, a Petrobras. Ele justifica: a maioria dos pagamentos era feito em dinheiro vivo, sacado pelos corruptores na boca do caixa, o qual era entregue aos corruptos. Na Lava Jato, a propina era classificada como ‘doação’ de empresas a políticos e seus partidos.
Na maioria das vezes, os investigadores contam apenas com a delação premiada de empresários, doleiros e agentes públicos presos. Nem as evoluções de patrimônio atípicas mostram-se capazes de corroborar as acusações. Diversos participantes do esquema fraudulento, mesmo condenados pelo juiz Sérgio Moro, podem se livrar da sentença em esferas superiores do Judiciário. Com isso, as relações espúrias entre políticos e empresas vão continuar acontecendo, já que todos os envolvidos nos esquemas de corrupção que estão sendo investigados contam com bons advogados que traçam suas estratégias de defesa aproveitando as brechas que a legislação penal brasileira permite.
A ministra Cármem Lúcia, do STF (Supremo Tribunal Federal), quando votou pela prisão do senador Delcídio do Amaral (PT), flagrado tentando livrar réus da Lava Jato, foi exemplar em seu pronunciamento: ‘na história recente da nossa pátria, houve um momento em que a maioria de nós, brasileiros, acreditou no mote segundo o qual a esperança tinha vencido o medo. Depois, nos deparamos com a Ação Penal 470 e descobrimos que o cinismo tinha vencido a esperança. Agora parece se constatar que o escárnio venceu o cinismo.’ Diante do quadro que se desenha hoje para o desfecho do processo, devemos acrescentar que a canalhice vai acabar por vencer tudo, já que não há amplas garantias de que todos os implicados em corrupção serão julgados e condenados, sejam políticos ou não. A esperança é de que a Justiça vença a roubalheira corrupta. Do contrário, este País não terá mais jeito, caso continuemos tolerando esta roubalheira. Se o Judiciário não conseguir agir como se espera, cabe aos brasileiros utilizar a única arma para punir essa cambada: o voto. Que ele seja utilizado, então.
email opiniao@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.