Moradores e comerciantes da região da praça Carlos Pacheco estão inconformados com uma cena que se repete diariamente em frente à Casa da Cultura e do Artista Francano “Abdias do Nascimento”. Trata-se da reserva de vagas de estacionamentos realizada por funcionários da Feac (Fundação de Esporte, Arte e Cultura de Franca). Há cerca de quatro meses, de acordo com os relatos, vigilantes que trabalham no local reservam com pneus, de segunda a sexta-feira, duas vagas de estacionamento para que os servidores tenham espaço garantido no momento em que chegam para o trabalho.
Revoltados, os comerciantes, que preferem não se identificar, questionam a ação, que para eles é uma violação ao direto de todos os motoristas, principalmente pela dificuldade encontrada para se estacionar na região Central da cidade. “Há algum tempo a Prefeitura retirou metade dos espaços para estacionar no Centro da cidade. É errado que alguns motoristas reservem as vagas, tirando o direito dos outros. Aqui são várias lojas e estabelecimentos comerciais e poucas vagas, não tem cabimento que façam isso. Policiais da Base Comunitária ficam aqui durante boa parte do dia e não questionam essa prática irregular”, disse um dos comerciantes.
“Não é justo. Essa prática de colocar pneus reservando vagas é um completo absurdo, sem falar que é um abuso de poder. Logo pela manhã, os vigilantes colocam os pneus reservando as vagas e, muitas vezes, quando alguém tenta parar, eles obrigam a tirar os veículos”, disse a coordenadora de um dos estabelecimentos localizados nas proximidades.
Ainda segundo as reclamações, as vagas seriam utilizadas, todos os dias, por duas funcionárias da Casa da Cultura, uma delas a diretora de Cultura da Feac, Karina Gera.
Após receber as denúncias, a reportagem do Comércio esteve no local e, em vários dias, conseguiu comprovar a veracidade das queixas.
Abordado enquanto retirava os pneus que reservavam as vagas na manhã de ontem, o vigilante relatou que estaria apenas cumprindo ordem de seus superiores. De acordo com ele, as reclamações dos comerciantes seriam frequentes e ele teria, inclusive, alertado a diretora de Cultura sobre o fato.
Justificativas
Procurado para comentar o caso, o responsável pelo trânsito da cidade, Sérgio Buranelli, prometeu averiguar a situação. “Nenhum lugar pode ter reserva de vaga, a não ser com autorização, o que não é o caso. Já imaginou se todo comércio decidisse reservar vagas, o que o Centro acabaria virando? Vamos verificar a situação e, se comprovada a denúncia, retiraremos os pneus de imediato e tomaremos as providências cabíveis.”
Citada pelos comerciantes como uma das pessoas que utilizariam regularmente uma das vagas, Karina Gera informou que a reserva seria feita apenas para facilitar a carga e descarga. Quando questionada sobre a informação de que ela utilizaria uma das vagas para uso pessoal, informou que o fato teria ocorrido “apenas” quando ela utilizava o veículo para transportar materiais da Casa da Cultura.
“Essa situação é necessária para a carga e descarga já que muitas vezes motoristas param irregularmente na faixa amarela reservada para isso e encontramos essa dificuldade. Apesar disso, já solicitei ao setor responsável a regularização da sinalização”, disse.
Já sobre a possível conivência da Polícia Militar com a prática, a assessoria de imprensa da corporação informou que a sinalização e obstrução viária é responsabilidade do Órgão de Trânsito Municipal. Porém, vai notificar os responsáveis sobre a situação.
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