Buscamos, a todo tempo, ser reconhecidos profissional e pessoalmente. Fazemos ou deixamos de fazer segundo interesses/desejos conscientes ou inconscientes. Para o pensador Thiago de Melo, ‘como sou pouco, e sei pouco, faço o pouco que me cabe me dando inteiro. Sabendo que não vou ver o homem que eu quero ser. Venho refletindo sobre isso.
Acredito ser o primeiro passo para crescer, reconhecer a própria pequenez. O crescimento se dá no vazio, na lacuna, naquilo que falta. Por isso a certeza de que ‘o que sei é que nada sei’ como dizia Sócrates, ou, quanto mais sei, mas tenho certeza de minha ignorância, em outras palavras.
Há situações em que estar presente com a pequenez, mas dando-se por inteiro, é suficiente para obter resultados positivos ou inesperados.
Quer saber se tem amigos? Apresente-lhes situações complicadas e veja se estão dispostos a ajudá-lo. A amizade é provada na dificuldade. Às vezes, o que podemos fazer é nos colocar à disposição. Se estiver ao alcance resolver ou minimizar situação e o sofrimento dela decorrente, devemos fazer. Assim, podemos descobrir quem realmente somos, e como tratamos pessoas que nos são importantes. Por falar nisso, indago: qual o valor da palavra empenhada? É possível dar valor à palavra, independente de documento? O escrito anda valendo pouco. Pessoas questionam até o que escrevem, e isso, vejo no exercício profissional da advocacia.
Tenho também casos em que palavra empenhada é suficiente, inclusive para situações complexas. Nada de documento. Tudo na confiança. No pouco das palavras tinha-se o muito das pessoas envolvidas. Palavras não foram jogadas ao vento.
Com a resolução do conflito, olhando para as pessoas envolvidas e a concretização das condutas que estavam alicerçadas apenas nas palavras posso dizer que sou pouco e sei pouco, mas estava por inteiro. O pouco pode ser muito e fazer toda a diferença. Somos seres civilizados ou não?! A relativização de valores é latente na contemporaneidade.
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.