Letargia prejudica o futuro do Brasil


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Só quem não está familiarizado com o tamanho da crise que atinge o Brasil pode ficar impassível diante da necessidade de novas medidas capazes de reverter o quadro sombrio que se prenuncia para os próximos tempos. Os números da economia continuam se deteriorando e não se vê qualquer movimentação dos nossos governantes e de líderes políticos no sentido de buscar alternativas que deixem de penalizar apenas o setor produtivo na cobertura do rombo nas contas públicas causado por uma política econômica temerária e equivocada. Essa letargia só prejudica o País.
 
Ontem, o governo recebeu mais uma péssima notícia: a dívida pública federal avançou 24,8% no ano passado e seu estoque totalizou R$ 2,8 trilhões. Esse é o resultado da política do Tesouro Nacional de venda de títulos no mercado para financiar os déficits no Orçamento e tentar melhorar o perfil da dívida, ao reduzir custos e esticar o prazo desses papéis. Para 2016, o Tesouro trabalha com a perspectiva de uma dívida entre de R$ 3,1 trilhões e R$ 3,3 trilhões, de acordo com o PAF (Plano Anual de Financiamento). Isso, ao lado do desemprego recorde, os números negativos da atividade econômica e da produção, com inflação crescente, tem jogado o Brasil num buraco sem fundo.
 
O governo defende apenas a necessidade de recriar o imposto do cheque e agora acena para um reforma da Previdência que tornará ainda mais difícil para o trabalhador se aposentar ou conseguir benefícios. Ou seja: somos nós, que produzimos e contribuímos, que seremos ainda mais penalizados para corrigir os erros de gestão do governo federal. Não se aventa qualquer reforma que contemple os gastos correntes, com salários e benefícios dos Três Poderes, os quais corroem o dinheiro que deveria ser utilizado em benefício dos brasileiros. Junte-se a isso uma corrupção endêmica que vem minando os cofres de órgãos públicos e empresas estatais.
 
Uma reforma é necessária. Mas não pode ser como a realizada pela presidente Dilma Rousseff (PT) meses atrás, quando anunciou uma redução de ministérios que foi apenas para inglês ver: toda a estrutura continua mantida e nenhum comissionado foi demitido. Para uma comparação, vejamos os números: nos Estados Unidos, são 435 deputados federais para 300 milhões de habitantes. No Brasil, 513 para 200 milhões de habitantes. A Suprema Corte tem nove ministros, com 320 funcionários; o STF tem onze ministros, com 1.600 funcionários. E, finalmente, o presidente Obama tem 19 ministros. E lá as mordomias são bem menores. Os EUA são a maior nação do mundo; o Brasil nunca passou de emergente. Quem sabe não devemos começar por aí para desidratar a máquina administrativa e para nos tornarmos um País realmente sério?
 
 
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