Uma reunião de duas horas realizada a portas fechadas na Prefeitura, ontem à tarde, parece ter colocado um ponto final nas divergências entre o prefeito e diretores de entidades assistenciais. Isso poderá garantir a continuidade do atendimento prestado a quase 480 crianças. A Pastoral do Menor decidiu aceitar a proposta apresentada por Alexandre Ferreira (PSDB). Já a Infacape (Instituição Família “Caetano Petráglia”) e o Ceprol (Centro Promocional Nossa Senhora de Lourdes) ficaram de analisar as condições apresentadas.
A reunião foi agendada às pressas, após a Câmara ter adiado a votação do projeto apresentado pelo prefeito e que pretendia acabar com o repasse de verbas para as três entidades. A intenção de Alexandre era transferir o atendimento das crianças e destinar os recursos para o Ijepam e a Amafem, que não têm histórico de atendimento educacional infantil.
Participaram do encontro o prefeito, as secretárias Fabiana Sampaio, da Educação, e Gislaine Peres, da Ação Social, três diretores de cada entidade e seis vereadores governistas. Funcionários das instituições, pais de alunos e jornalistas foram impedidos de entrar na Prefeitura e tiveram de aguardar no pátio.
Entre os que foram barrados pelos guardas civis, estavam o ex-diretor regional de ensino Antônio Reginaldo Raiz e Maria Abadia, uma senhora de 77 anos que integra a diretoria da Infacape. Todos, inclusive, mulheres com crianças no colo, tiveram de se esconder debaixo das marquises para não tomarem chuva. Três freiras, que também não tiveram acesso ao gabinete, conseguiram algumas cadeiras para se sentarem na entrada da Secretaria de Planejamento Urbano.
Participantes relataram que, no começo do encontro, o prefeito estava hostil com padre Ovídio, presidente da Pastoral do Menor, que o criticou em entrevistas e na tribuna da Câmara. O clima tenso se amenizou no final. Na sessão extraordinária, sexta-feira, Ovídio havia dito que o prefeito precisa ceder para as negociações evoluírem. “Não basta ele colocar um revólver na nossa cabeça e falar: ‘cumpra-se’. Se não tiver diálogo, vamos apenas perder tempo na reunião.”
Embora a Prefeitura tenha mantido a proposta de repassar R$ 120 mais o aporte para custear transporte, alimentação e material didático, a Pastoral resolveu aceitar os valores para dar sequência ao atendimento de crianças em atividades de contraturno escolar.
“Eu aceitei os R$ 120, mesmo sabendo que meu custo não é esse, confiante porque Deus sempre foi meu maior parceiro e sempre colocou pessoas à minha frente para poder me ajudar. Vamos correr atrás de recursos para complementar”, disse padre Ovídio.
Diretores da Infacape e do Ceprol ficaram de dar uma resposta até sexta-feira se vão continuar com os serviços. A Prefeitura também manterá o combinado com o Ijepam e a Amafem, o que poderá dobrar o número de crianças atendidas. Com o entendimento, o projeto excludente, que foi mandado para a Câmara, deverá ser retirado.
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