Adair Ribeiro, mulher à frente de seu tempo, morre aos 102 anos


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Adair Ribeiro foi sepultada ontem no Cemitério Municipal de Pedregulho
Adair Ribeiro foi sepultada ontem no Cemitério Municipal de Pedregulho
Morreu em sua casa, às 2 horas de ontem, segunda-feira, 25, a senhora Adair Abib Ribeiro. Tinha 102 anos. Estava sob cuidados do filho médico, Joaquim Pereira Ribeiro, e da neta, também médica, Fabiana Fadel Ribeiro, e residindo com o filho Zezé. A morte se deu por causas naturais, especialmente em razão de organismo debilitado pela idade.
 
Estava viúva de Urias Pereira Ribeiro há 31 anos. Do casamento, quatro filhos, Maria de Lourdes, professora primária, casada com Getúlio Manoel da Silva; Joaquim, médico, casado com Dalel; José Geraldo, o Zezé, comerciante, viúvo de Eunice; Maria Lúcia, professora de química. Dos enlaces dos filhos, 13 netos (João Luís, Carmem Lúcia, Denise, Ana Lúcia, Fabiana, Luciano, Juliano, Cristiana, André, Renata; e mais Cláudia, Eunice e Márcia que perderam a mãe Eunice muito cedo e foram criadas por Adair). Ainda, 14 bisnetos.
 
Foi determinante na formação dos filhos, endereçando-os à educação e à cultura, mas, também, se preocupando em que se tornassem cidadãos prestantes e operosos. Suas filhas se formaram professoras. Dos filhos homens, Zezé se tornou comerciante. Joaquim, médico pela prestigiada Faculdade de Medicina da Praia Vermelha do Rio de Janeiro.
 
Família já residindo em Franca, os filhos se casaram e passaram a atuar nas respectivas profissões. Com as atividades médicas do filho Joaquim, Adair se manteve atenta, e o auxiliou enormemente em, pelo menos, dois momentos decisivos da vida dele, o primeiro quando deixou a Santa Casa de Misericórdia para criar uma clínica, a Casa de Saúde Santa Maria, estabelecendo-a na rua do Comércio, e convidando para a mesma, vários médicos da época. D. Adair transferiu residência para o lado do pequeno hospital que nascia e ampliou a eficiência da cozinha da nova residência para dar suporte à alimentação dos pacientes internados. Também administrou a lavanderia, não poupando esforços no desenvolvimento da casa de saúde.
 
Compreendeu quando o filho fechou o empreendimento para voltar a atender na Santa Casa a pedido da provedoria da época a Santa Casa enfrentava falta de médicos pós associação de vários deles para a fundação do Hospital Regional.
 
Adair nunca deixou de estimular o filho a continuar sonhando com seu próprio hospital. Aí, veio a segunda chance para vê-lo dar realidade ao sonho. Joaquim projetava um novo hospital e ela passou a acompanhar tudo. Em terreno doado por Joaquim Speretta, o Hospital São Joaquim tomou forma, e Adair se colocou novamente disponível, para apoiá-lo. O empreendimento saiu do papel e se consolidou. É hoje, o Hospital São Joaquim/Unimed.
 
Segundo a enfermeira Maria Inês da Silva, que trabalha com o médico Joaquim há 49 anos e se tornou quase da família, Adair foi mulher à frente de seu tempo. “Trabalhou na primeira clínica do filho como voluntária. Era pessoa exemplar, firme, determinada, decisiva, vocacionada a fazer o bem e a cuidar e estimular pessoas para que também fizessem o bem.”
 
Para ela, idade nunca foi problema. Adorava viajar. Acompanhou a filha Eunice durante tempo em que a “neta/filha” residiu na Inglaterra. “Zezé, seu filho, sempre afirmou que a mãe não podia saber de qualquer planejamento de viagem que já se colocava ‘candidata’ a também ir”, disse Maria Inês.
 
O velório de Adair aconteceu ontem, durante o dia. O sepultamento foi realizado às 17 horas, no Cemitério Municipal de Pedregulho, com serviços da Funerária Francana.

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