Os quase 20 anos de separação, ansiedade, culpa e questionamentos que marcaram as vidas do lustrador Equiel da Silva Ribeiro e da faxineira Margarida Alves terminaram com um abraço na tarde do último sábado. A história de Equiel - que fora adotado aos 3 meses de idade e buscava pelos pais biológicos - foi contada pelos veículos do GCN na última semana e, após ter acompanhado o primeiro contato, a reportagem levou o jovem ao encontro da mãe recém descoberta na cidade de Ibiraci (MG).
No caminho, o clima não era de tensão, mas, mais tarde, o lustrador revelou que foi difícil dormir na noite anterior e que pensou em desistir da viagem. “Sei lá... É muita coisa que passa pela cabeça da gente. Mas eu precisava escutar dela (mãe biológica) a verdade, o porquê de ter sido adotado”, disse.
Em uma casa muito humilde, oitos dos nove irmãos de Equiel e diversos sobrinhos o esperavam do lado de fora. Assim que desceu do carro, foi avistado por Margarida, que estava na sala, de portas abertas. Sua emoção foi externada por gritos e choro.
“Ai meu Deus! Ai meu Deus”, repetia a mulher. Ao se aproximarem, se abraçaram e Margarida segurou em suas mãos o rosto do bebê que viu partir antes mesmo de abandonar o seio. Parecia estar a ponto de desmaiar. Os irmãos então se cumprimentaram e ajudaram a acalmá-la. “Orei muito para que o Senhor tocasse no coração do meu filho para que ele viesse algum dia até mim. Deus ‘ouve’ a fé de uma mãe”, disse ao Comércio.
Além de explicar os motivos que levaram à separação (relação conturbada com o pai da criança), Margarida teve a oportunidade de pedir perdão ao filho e agradecer à Sueli, mulher que acolheu e criou Equiel desde o berço. O reconhecimento não se restringiu a ela.
“Eu só tenho a agradecer a minha mãe (Sueli) e, agora, vou dar mais valor à ela. Por causa dela estou aqui e ter abraçado a Margarida foi uma coisa surreal”, disse Equiel. “Agora, eu encontrei a paz.”.
O caso
Na manhã do último dia 19, a mãe que criou Equiel, a pespontadeira Sueli Aparecida Ribeiro, procurou pelo programa Show da Manhã, comandado pelo radialista da Difusora AM 1030 Valdes Rodrigues, e iniciou uma busca pela mãe biológica do rapaz.
Segundo ela, a expectativa era encontrá-la para atender o desejo do filho e proporcionar a ele a paz de obter as respostas que buscava sobre sua própria história.
“Você vê que ele sente um vazio. Quer falar com eles (os pais), entender o que aconteceu, o porquê de terem abandonado ele. Então eu disse: se for pela sua felicidade, vamos procurar juntos. Você tem esse direito”, disse Sueli Ribeiro, na ocasião.
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