“Quando viemos para o prédio, as paredes eram todas claras. Agora, com as chuvas, a água desce pela parede. No início, eram algumas gotinhas e, agora, virou uma ‘cachoeira’. Com isso, as paredes ficaram escuras, o gesso começou a se desprender do teto, a água se acumular na lâmpada e, às vezes, temos até de mudar os bancos de lugar para os clientes não se molharem.”
Os inconvenientes relatados pela atendente de uma agência imobiliária Sandra Melo são o retrato do que muitos vêm enfrentando neste período sem estiagem. Para se ter uma ideia, nesses 21 dias de janeiro, 325,7 milímetros de chuvas foram registrados em Franca -mais do que em todo o mês de janeiro do ano passado- e somente nos dias 7 e 18 não houve precipitação. Com isso, profissionais como eletricistas e casas especializadas em impermeabilização registraram um aumento na demanda por serviços de até 60%. Segundo os ouvidos, embora o problema seja comum, ele exige cuidados para a preservação da segurança dos moradores.
“Havendo uma infiltração na rede elétrica, a resistência de isolamento do fio é violada e, com isso, as paredes podem começar a dar choque. Outra situação é que pode haver curto circuito, já que a água é condutora, e provocar a ‘queima’ de vários aparelhos eletrônicos da residência”, disse o eletricista da Marques Instalações Elétricas, Donizete Domingos Marques. “Para evitar esses danos, há um dispositivo chamado DR que desliga o quadro de força quando há uma fuga de energia fora do normal. Com isso, o proprietário tem tempo de perceber o problema e chamar um profissional.” Outra orientação é para desligar o quadro de força quando houver vazamentos pela lâmpada. Ele também recomenda não tentar mexer no bocal, pois isso pode ocasionar choques e estouro da mesma, causando ferimentos.
Estruturais
Além dos problemas citados pela atendente Sandra, como queda de gesso, escurecimento das paredes e goteiras, a infiltração pode trazer problemas à estrutura das residências. Em casos mais sérios, ela pode chegar às ferragens e ‘corroer’ a parede de dentro para fora.
“Para evitar os transtorno, o ideal é pensar na impermeabilização no momento da construção, cujo custo corresponde a cerca de 3% do valor da obra. Para corrigir, chega a 30%”, disse a diretora da Casa da Impermeabilização, Thayssa Carla Lima. Ainda de acordo com ela, ações como aplicar impermeabilizantes nas paredes externas do imóvel ajudam a prevenir o problema.
Outro causador comum de infiltração é o mau funcionamento das calhas. De acordo com o calheiro Hélio Balduíno dos Santos, da Calhas 2 Irmãos, o entupimento da mesma costuma gerar acúmulo de água, que é absorvida pelas paredes. “O indicado é que, uma vez ao ano, seja feita uma revisão. Além do entupimento, o aumento de temperatura e dilatação dos telhados podem provocar problemas na solda da calha.”
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