Prefeitura agenda cirurgia de mulher que já havia morrido há três anos


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A secretária de Saúde Rosane Moscardini
A secretária de Saúde Rosane Moscardini
Um telefonema trouxe de volta todo o sofrimento do montador aposentado Celío José Eurípedes, de 51 anos, morador do Jardim das Palmeiras. No último dia 05 de janeiro, de acordo com o aposentado, a Secretaria de Saúde o contatou para informar que a cirurgia de sua irmã mais velha, Maria Lúcia Eurípedes Pereira, que esperava desde 2012 por uma cirurgia nos rins, seria agendado. O problema é que a paciente já morreu há três anos. 
 
“Minha irmã sofreu muito aguardando a cirurgia por bastante tempo. Receber essa ligação me fez relembrar todo o sofrimento que passamos. É muito desrespeito”, desabafou.
 
Célio disse que a irmã sofria com problemas renais há alguns anos, mas a situação piorou há quatro anos e o médico  que acompanhava seu caso indicou a cirurgia. 
 
Segundo o irmão, ela tentou agendar o procedimento, aguardou durante meses, mas morreu sem realizar a cirurgia.
 
Para o aposentado, a ligação foi uma demonstração de desrespeito da Saúde com os pacientes que precisam de tratamentos e ficam por anos na fila de espera e, muitas vezes, assim como sua irmã, morrem antes de conseguir o atendimento necessário. “A atendente me informou que minha irmã poderia comparecer ao local e marcar a sua cirurgia. Falei que eles estavam atrasados, pois já fazia 3 anos que minha irmã tinha morrido. Ela ficou desconcertada e se desculpou ”, disse.
 
Justificativas
A secretária de Saúde, Rosane Moscardini, disse, diferente do que afirma o irmão da paciente, que a cirurgia foi, sim, realizada em agosto de 2012, mas que o DRS cometeu um erro ao repassar a informação para a Secretaria e isso motivou o contato indevido com o irmão de Maria Lúcia. “Ressalto que as cirurgias solicitadas já haviam sido realizadas e em razão do equívoco (do DRS) é que foi mantido o contado com a família”, disse.
 
A assessoria de imprensa do DRS VIII lamentou o ocorrido e também disse que o procedimento realmente foi realizado em 2012, só que no mês de abril. O desencontro de informações das datas revela, no mínimo, problemas nos controles dos órgãos. 
 
Procurado novamente pela reportagem, após as alegações da Secretaria e do DRS VII, o irmão da paciente voltou a afirmar que ela morreu sem que o procedimento fosse realizado.
 

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