Juiz surpreende ao dizer que autor de processo 'deu migué'


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Um juiz surpreendeu ao afirmar que o autor de um processo havia tentado "dar um migué". Vilson Fontana usou a gíria para se referir a um suposto ato de má-fé. O autor do processo realizou a compra de um celular em 2012 e entrou com o processo em 2015 alegando que o aparelho recebido não era aquele comprado pela internet.

Fontana, da 2ª Vara Especial Cível de Florianópolis, que trata de pequenas causas, se incomodou quando percebeu que a ação aconteceu muito depois do prazo estabelecido por lei. "O autor tentou dar o primeiro 'migué' neste Juiz, ao alegar que inúmeras vezes tentou amigavelmente resolver o problema. Mas, onde está a prova?", escreveu Fontana. "Confesso que fiquei triste com este processo, com o autor, com os advogados, com o Judiciário, com o Sistema e comigo mesmo. Numa sexta-feira à tarde, 16 horas, janeiro, sol forte lá fora, pergunto se mereço realmente estar 'julgando' este processo. Acho que não. Reconheço a decadência e extingo a ação", continua o juiz. "Eu poderia ter substituído 'migué' por 'tergiversou', 'usou de evasiva', 'subterfúgios', mas aqui é um juizado especial, tem que ser uma linguagem simples", explicou o juiz ao site G1. "Eram 12 páginas da inicial, que solicitava a troca do celular, e 20 páginas de defesa da empresa. São muitas páginas por uma coisa que poderia ser resolvida com apenas um dado: passou o prazo dos 90 dias", afirmou Fontana.

O site G1 tentou contato com o advogado do autor da ação, mas não obteve resposta.

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