Após sofrer assédio, mulher processa banco e juiz considera crime como 'cantada'


| Tempo de leitura: 2 min

Uma mulher em Erechim, no Rio Grande do Sul, viveu um martírio até conseguir ser indenizada após sofrer um assédio. A vítima foi até uma agência bancária solicitar um cartão e depois que saiu, recebeu em seu celular uma mensagem do funcionário que a atendeu. "Oi, tudo bem? É o *** do ***. Lembra que atendi hoje? Mando esta mensagem para saber ser você está solteira. Te achei tri gata. Fiquei afim de ficar com você.. e quem sabe se rolar um sexo bom. Vou ficar aqui a semana toda. Há possibilidade? Beijo", dizia o texto.

A mulher voltou ao banco no dia seguinte para alertar o gerente sobre o comportamento do funcionário e ouviu dele o pedido para que apagasse a mensagem. A vítima entrou com processo indenizatório por danos morais e violação de dados cadastrais. Foi então que ela se surpreendeu com a decisão do juiz. Ele alegou que "as conquistas das mulheres na luta pela igualdade evoluíram e que, portanto, uma proposta de encontro sexual não pode ofender a moral", considerando o assédio como uma simples "cantada" e que a mulher estava tentando tirar benefício financeiro com a situação. Ele determinou que ela pagasse os honorários do advogado do banco.

A mulher recorreu e desta vez ganhou a causa. O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) condenou o banco a pagar R$ 8 mil à vítima e a desembargadora responsável definiu o discurso do juiz anterior como "fora dos padrões, extremamente grosseiro e até discriminatório".

O banco Itaú informou ao site G1 que o funcionário envolvido foi demitido, mas não comentou o resultado da ação. Já o juiz que havia tratado da ação em primeira instância, continuou afirmando que o maior prejudicado foi o funcionário e que tratou a mulher com igualdade, dizendo que ela não teria o direito de se ofender por uma simples mensagem de celular.
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários