A Câmara Municipal de Franca mostrou ontem, durante sessão extraordinária, que continua abaixando a cabeça ao prefeito Alexandre Ferreira (PSDB). Tendo diante de si um projeto que prejudica perto de 500 crianças carentes, os vereadores não chegaram a um acordo para fazer o certo: rejeitar a matéria que, se aprovada, irá causar um impacto negativo a três tradicionais entidades assistenciais, com décadas de bons serviços prestados à comunidade. Perderam mais uma chance de mostrar aos seus eleitores que estão realmente comprometidos com os problemas do município, mostrando-se acima de partidos, ideologias e acordos.
Como o leitor do Comércio e do Portal GCN e o ouvinte da Difusora já sabem, pelo projeto apresentado pela Prefeitura, a Pastoral do Menor, o Ceprol (Centro Promocional Nossa Senhora de Lourdes) e a Infacape (Instituição Família Caetano Petráglia) deixarão de receber mais de R$ 662 mil em subvenções da municipalidade. Sem os recursos, as três instituições não terão condições financeiras de manter o atendimento. No caso do Ceprol, o corte significará o fim das atividades no Centro da cidade. Na Infacape, serão 180 vagas fechadas das atuais 280. Na Pastoral, também deixarão de ser atendidas 150 crianças. Ao todo, o corte atingiria 477 famílias.
Na concepção do prefeito, os mais de R$ 662 mil que deveriam ser destinados para as três entidades teriam outro objetivo. A secretária de Educação e Ação Social, Fabiana Sampaio e Gislaine Peres, respectivamente, diz que, se as instituições aceitassem os R$ 120, mais o aporte para custear transporte, alimentação e material didático, o convênio seria mantido. O que Alexandre Ferreira não explica: se havia verba de R$ 500 mil para destinar à Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) a fim de fazer a decoração de Natal, por que não há volume similar para as entidades?
Contra aqueles que dependem do auxílio do Poder Público para manterem suas atividades, o prefeito usa sem dó o poder da caneta. A mesma caneta que destina milhões de reais para uma propaganda enganosa, que faz um desenho favorável de sua administração a despeito da realidade, ou que transferiu valores consideráveis para uma quadrilha de falsos médicos que atuaram na cidade. Esta questão deixa bem claras as motivações de Alexandre, que se curva para o poder econômico e pretende deixar sem atendimento cerca de 500 crianças carentes. O que ele pretende legar ao município que lhe deu o mandato? Se a Câmara se mostrar conivente mais uma vez, os eleitores francanos saberão externar o seu descontentamento nas eleições de outubro, com certeza.
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