Câmara adia projeto contra entidades


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Crianças, pais e diretores das entidades ameaçadas pelo projeto de lei do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) foram à Câmara, ontem, para pressionar os vereadores
Crianças, pais e diretores das entidades ameaçadas pelo projeto de lei do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) foram à Câmara, ontem, para pressionar os vereadores
Crianças foram à Câmara, ontem, protestar contra o projeto do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) que pretendia acabar com o repasse de verbas para a Pastoral do Menor, Infacape (Instituição Família “Caetano Petráglia”) e o Ceprol (Centro Promocional Nossa Senhora de Lourdes). Acuados pela pressão popular, os vereadores decidiram adiar o voto por uma sessão. A estratégia foi ganhar tempo para buscar uma solução que reduza o desgaste provocado.
 
A proposta, se aprovada como pretendia o prefeito, deixaria em risco o atendimento prestado a quase 480 crianças. Por isso, meninos e meninas se juntaram a dirigentes das entidades e foram manifestar, segurando faixas e cartazes. Alguns chegaram a entrar no plenário e sentaram-se nas mesas dos vereadores.
 
O ambiente esteve longe de ser pacífico para os políticos. A voz mais contundente contra a aprovação foi de Padre Ovídio, presidente da Pastoral do Menor. Os vereadores sabiam que ignorar seus apelos significaria comprar briga com a Igreja Católica, o que não é uma boa ideia em ano eleitoral. Por isso, a maioria estava propensa a votar contra, inclusive, Laércinho (PP), fiel aliado do prefeito, mas um católico de carteirinha e autor do projeto que criou o Dia do Padre.
 
O projeto foi discutido por duas horas e dez minutos. Padre Ovídio foi o primeiro a ir à tribuna pregar o voto contrário. “Está acontecendo um leilão para ver quem faz o atendimento com menos dinheiro. Não concordamos com isso, pois criança não é objeto de lucro.”
 
Mary Cristina de Faria, mãe de aluna da Infacape, também pediu aos vereadores que não aprovassem o projeto. “O atendimento que recebemos é muito bom. Quem garante que a qualidade vai ser mantida? Por que mexer em time que está ganhando? É melhor deixar como está.”
 
A secretária de Ação Social, Gislaine Peres, falou em nome do município. Ela disse que, como recebeu ofício das entidades afirmando que não teriam condições de continuar prestando o serviço por R$ 120, a Prefeitura se viu obrigada a buscar novos parceiros. “Qualquer um, na nossa situação, faria o mesmo para garantir o atendimento.” Gislaine fez mea culpa em público. “Foi um grande erro nosso comunicar por escrito com as entidades.”
 
A secretária disse que, se as entidades aceitarem os R$ 120 mais o aporte para custear transporte, alimentação e material didático, a Prefeitura manterá o convênio.
 
O líder do prefeito, vereador Luiz Vergara (PSB), também ligado à Igreja Católica, ao ver que não tinha votos suficientes para a aprovação, propôs que a votação fosse adiada por uma sessão para que vereadores, entidades e prefeito possam se reunir e buscar uma alternativa. O encontro foi marcado para segunda-feira, às 14 horas, na Prefeitura. “Espero que a reunião seja mesmo para resolver. O prefeito precisa ceder também. Não basta ele colocar um revólver na nossa cabeça e falar: ‘cumpra-se’. Se não tiver diálogo, vamos apenas perder tempo”, afirmou padre Ovídio. “A reunião só terá alguma validade se for para rever os valores. Se for para confirmar o que foi proposto, é jogar a responsabilidade para cima das entidades”, completou irmã Maria Inês, da Ceprol.
 
Marco Garcia (PPS), presidente da Câmara, disse que os vereadores foram sensatos ao adiarem o projeto e criticou a forma como o governo conduziu as discussões. “Mais uma vez, os assessores do prefeito não o alertaram das consequências de um embate com a Câmara. A decisão é do Legislativo e não do Executivo. Quando acontece uma presepada desta, é o prefeito quem sofre as consequências e, não, o iluminado que deu a ideia. Espero que os ferimentos sejam menores, mas alguém vai ser machucado desta história.”
 

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