Internado desde o último dia 24 de dezembro com sintomas da síndrome Guillian-Barré, o corretor Joaquim Pedro Farias, de 52 anos, morreu no final da tarde de ontem. Ele estava na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) da Santa Casa e era o primeiro caso suspeito de ter contraído o zika vírus em Franca. Segundo seus familiares, uma infecção generalizada causou sua morte.
De acordo com o diretor municipal de Vigilância em Saúde, José Conrado Netto, a infecção generalizada não muda os rumos da investigação acerca do zika vírus e dos sintomas apresentados pelo corretor ao longo de sua internação.
“Não muda o estudo, porque ele apresentava os sintomas. Foi confirmado que ele estava com a síndrome, que pode ter relação com o vírus. Por outro lado, deu negativo para dengue. Ainda não temos resposta sobre o zika. O resultado do exame sai entre 15 e 30 dias, e foi feito nesta semana”, disse Netto.
Ainda de acordo com o diretor, o paciente não viajou para nenhum outro lugar do País, o que seria um indicativo de contrair zika, além de sítios e fazendas da região. Sua residência, na Vila Aparecida, foi inspecionada e interditada pela Vigilância.
“Não tem nenhum caso confirmado na cidade. Nem mesmo o dessa vítima de ontem. Mesmo assim, é fundamental que a população elimine os criadouros do mosquito para evitar a dengue, o zika vírus e a febre chikungunya”, orientou.
Além do corretor, um outro homem, com sintomas semelhantes da síndrome, está internado na Santa Casa. Ele foi hospitalizado nesta semana e segue sob investigação da Vigilância e atendimento na instituição.
Farias está sendo velado desde ontem no São Vicente. Com trabalhos da Funerária Tedesco, ele será sepultado hoje, às 16 horas, no Jardim das Oliveiras.
Síndrome de Guillian-Barré
Segundo Netto, a síndrome é uma doença neurológica. “Ela causa paralisia muscular e, por isso, o paciente precisa ficar no hospital sendo observado e recebendo atendimento médico. O diafragma, por exemplo, é um músculo. Pode parar e, por conta disso, o paciente deixa de respirar”, afirmou o diretor.
A Guillian-Barré é uma das consequências da doença transmitida pelo Aedes aegypti, o mesmo transmissor da dengue e da febre chikungunya.
Essa última, conforme dados da Vigilância, registrou seis casos suspeitos que chegaram a Franca, de pessoas que foram diagnosticadas nos Estados em que estavam, e não em Franca. “Elas já tinham apresentado os sintomas e feito um tratamento. São três membros de uma mesma família e duas pessoas de outra”, disse Netto.
A sexta pessoa, segundo Netto, é o homem que está internado na Santa Casa. “Fizemos exame para Guillian, febre chikungunya, dengue e zika. Precisamos aguardar o exame para saber, afinal, qual doença será tratada.”
Sintomas de zika vírus
Febre leve, coceira, vermelhidão e dores nas articulações e na cabeça são alguns dos sintomas do zika vírus. São parecidos com a dengue e a febre chikungunya. “Se esses indícios forem observados, é necessário procurar imediatamente uma unidade de saúde e fazer os exames”, orientou Netto.
colaborou Carolina Ribeiro
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