Muitos brasileiros acham que não são afetados pela excessiva valorização das moedas estrangeiras no País. Nos últimos dias, dólar e euro vêm registrando altas recordes, atingindo níveis nunca vistos desde a implantação do Plano Real, em 1994. Além de apontar para um completo descontrole da economia brasileira, estes aumentos sucessivos vão comprometer ainda mais a renda do trabalhador brasileiro. Se a situação perdurar — e há fortes indícios de que o governo não tem qualquer carta na manga para reverter este momento desfavorável —, todos serão atingidos. A alta do dólar afeta a vida das pessoas comuns porque puxa a inflação para cima. Muitas matérias-primas são importadas — como trigo, gás e gasolina. Isso provoca um aumento do pãozinho, do macarrão, dos combustíveis, por exemplo. Além disso, alguns produtos que são produzidos aqui no Brasil também têm seu preço atrelado ao dólar. Como se pode ver ninguém será poupado.
Ontem, o dólar comercial teve a terceira alta seguida e fechou com valorização de 1,47%, a R$ 4,166 na venda. É o maior valor de fechamento desde a criação do Plano Real, em 1994. O recorde anterior tinha sido em 23 de setembro, a R$ 4,146. Em corretoras de São Paulo, o dólar turismo chegou a ser vendido a R$ 4,64 e o euro (que também impacta no cálculo da inflação), a R$ 5,04. Como se pode ver, a crise corre solta, nos deixando perto de uma profunda recessão. O governo tenta recuperar a capacidade de investimento no Brasil, mas se vê barrado pela crise institucional, que atrasa a aprovação das medidas que pretende ver implantadas como tentativa de solucionar os problemas e coloca Dilma Rousseff (PT) próxima de um processo de impeachment. Enquanto tenta salvar a própria pele, a presidente vê-se sem credibilidade para conduzir as reformas necessárias e dar a volta por cima.
Por isso, é bom o brasileiro colocar as barbas de molho porque os próximos meses serão ainda bem difíceis. Os índices mais recentes demonstram que não há qualquer setor produtivo -- indústria, comércio, agronegócio e serviços -- que esteja fora do turbilhão que causou a perda de 1,5 milhão de postos de trabalho com carteira assinada no ano passado (a maior nos últimos 24 anos). Além disso, a arrecadação de impostos tem sofrido seguidas quedas, por causa do corte recorde de empregos e da retração do volume produzido. A questão, agora, depende apenas do governo (com Dilma, com Temer ou com quem quer que seja) para que consigamos reverter esta situação. O Planalto precisa responder rápido no sentido de fazer o Brasil retomar a capacidade de investimento. Do contrário, 2016 pode repetir o ano passado, o que será muito ruim para todos nós.
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