As baixas na indústria e no setor comercial fizeram de 2015 o pior ano para o mercado de trabalho em Franca, apontaram ontem, 21, os números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Segundo o balanço do ano divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, a cidade fechou 4,2 mil vagas com carteira assinada no período, três vezes mais que o total registrado em 2014. O resultado negativo também foi o maior da série histórica (veja quadro nesta página).
Para as lideranças locais, esse desempenho negativo está estritamente ligado à crise econômica que assolou o país no ano passado. Somente em dezembro, período em que o setor comercial tem por costume realizar admissões, houve uma grande quantidade de desligamentos. Entre contratações e demissões, o saldo foi de 272 postos de trabalho fechados no setor.
“Tivemos um ano atípico, com excessivas demissões decorrentes da crise. O comércio de Franca não vendeu e acabou demitindo mais do que esperávamos”, disse o presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Franca, Reginaldo Galvani. De acordo com os dados, 2015 terminou com 1.004 vagas de trabalho fechadas no comércio - comportamento esse, nunca antes registrado pelo Caged. Em 2014, o setor comercial fechou o ano com saldo positivo de 613 vagas.
No setor industrial, o cenário foi ainda mais devastador. No ano passado, 3,5 mil trabalhadores com carteira assinada perderam o emprego, sendo 80% deles ligados ao segmento calçadista. “Foi um ano muito difícil, em decorrência das incertezas política e econômica. O mercado interno não respondeu e o dólar oscilou muito e trouxe insegurança”, disse o presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), José Carlos Brigagão do Couto.
As estatísticas do sindicato mostram que em dezembro passado, a indústria calçadista acumulava 17.739 trabalhadores, uma redução de mais de 12 mil postos se comparado ao maior saldo registrado em outubro de 2013. “Perdemos muitos trabalhadores e também tivemos uma grande baixa na produção de calçados devido a todos esses fatores”, disse Brigagão.
Na produção anual de calçados, os números na cidade caíram de 37,1 milhões de pares em 2014 para 33 milhões no último ano. Em 2013, esse volume era de 39,5 milhões de pares produzidos. “Precisamos nos unir como entidade e incrementar esses números. Os calçadistas estão esperançosos, ao mesmo tempo em que se mostram temerosos com o futuro”, revelou o presidente do Sindifranca.
A construção civil também terminou o ano no vermelho. Segundo o Caged, o setor foi responsável pelo fechamento de 249 postos de trabalho. Os demais setores (agropecuária, administração pública, serviços e extração mineral) apresentaram resultados positivos no ano.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.