Ensino gratuito


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O Chile sempre foi reconhecido como país democrático, de população fortemente politizada, tanto que no período duro da ditadura militar no Brasil aquele país acabou servindo de refúgio para vários cidadãos brasileiros execrados pelo regime militar de então, concedendo-lhes asilo político.
 
Com efeito, o Chile foi, e continua sendo, um oásis democrático na América do Sul, atualmente infestada por ditadores e por políticos corruptos. Em 2013, quando estive em visita àquele país, pude presenciar grande manifestação encabeçada por alunos universitários em Santiago, reivindicando ensino gratuito para todos, especialmente no terceiro grau, que chamamos de ensino superior.
 
Procurei me informar. Constatei que, para a grande maioria dos estudantes chilenos, o ensino é gratuito, notadamente nos primeiro e segundo graus. Já as universidades concedem gratuidade apenas a alguns comprovadamente carentes. 
 
Assim, manifestações periódicas dos estudantes locais visam estender essa gratuidade a todos os universitários, sem qualquer exceção, institucionalizando-se o ensino não pago em todas as esferas. 
 
Semana passada, deparei-me com notícia que foi pouco divulgada aqui neste nosso Brasil: ‘O Congresso aprova ensino universitário gratuito no Chile’.
 
A medida, segundo as informações, será implementada por etapas. Inicia-se agora, com processo de isenção e/ou concessão de bolsas, e deverá estar concluído em 2020. Confesso que senti ‘pitada’ de inveja daquele povo. Infelizmente, no Brasil, estamos na contramão, ou seja, priorizando a privatização do ensino.
 
Sim. Com o sucateamento do ensino público, famílias preocupadas em dar a seus filhos um ensino de qualidade, acabam tendo que migrar, forçosamente, para as escolas particulares, fortalecendo cada vez mais o caixa de empresas que exploram o conhecimento e a disseminação da cultura. Na educação do Chile, o exemplo do que poderíamos ser. 
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial, professor da Faculdade de Direito de Franca

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