A água é preta e oleosa, assim como o barro, e o odor chega a provocar dor de cabeça. Embora seja cercado por mata, córregos, minas e residências rurais, esse é o cenário que circunda o aterro sanitário municipal - que fica próximo ao quilômetro 42 da rodovia Fábio Talarico - desde que se iniciou um vazamento de chorume no local. Segundo os moradores das fazendas ao redor, há dois meses o líquido poluente advindo da decomposição de materiais orgânicos tem escorrido do aterro pelo solo, alcançando o canavial.
“Como tem uma mina próxima ao vazamento, cuja água é, inclusive, consumida pelos funcionários da fazenda, nossa preocupação é saber se a água ainda é potável ali”, disse um dos proprietários rurais, Omero Barbosa Sandoval Filho. “Por isso, contratei os serviços de um laboratório para fazer a análise da mina. Enquanto isso, pedi ao pessoal para parar com o consumo”, completou.
Segundo o agricultor Luís Carlos Ferreira Nascimento, a insegurança apontada por Omero repercute entre os moradores do entorno. “Antes, quando eu estava trabalhando e sentia sede, bebia a água do córrego mesmo, mas agora parei. Conheço um monte de gente que mora por aqui e usa a água também para regar a plantação. Se a água estiver contaminada, é perigoso.” Ainda segundo Luís Carlos, após ter sido alertada pelos moradores sobre o problema, na última quinta-feira, a Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca) enviou máquinas ao local que começaram trabalhos para conter o vazamento de chorume. “Melhorou bastante, mas ainda escorre essa água preta de lá.”
A reportagem tentou contato com a Prefeitura e com a Emdef para saber o que houve e o que está sendo feito, mas até o fechamento desta edição, não obteve resposta.
Córrego livre
O engenheiro sanitarista e ambiental da Cetesb, Alessandro Palma, esteve no aterro na última terça-feira para uma vistoria. De acordo com ele, após avançar uma área de cerca de 300 metros, o chorume teria ficado retido em uma curva de nível não alcançando nenhum curso d’água.
“Quanto ao solo e as águas subterrâneas, faremos um estudo para saber se foram contaminados e, a partir daí, exigir ações complementares da Emdef.”
Ainda segundo o engenheiro, o volume de chuva teria provocado o transbordamento das duas lagoas de contenção de chorume existentes no aterro. “Mas o projeto de aterro sanitário deve contemplar todo tipo de situação e o que aconteceu, não deveria ter ocorrido”, afirmou.
A primeira providência tomada pela Cetesb para aplacar os danos do derramamento foi exigir da Emdef a imediata remoção do chorume.
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