Homem morre após passar 2 vezes por PS e ser liberado com ‘torcicolo’


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Léia Peixoto Batista espera que a morte do irmão sirva para alertar sobre os constantes casos suspeitos de negligência na saúde
Léia Peixoto Batista espera que a morte do irmão sirva para alertar sobre os constantes casos suspeitos de negligência na saúde
A morte do ajudante de pedreiro Laureano Peixoto, 60, pode ser apenas mais uma para integrar a extensa lista de casos suspeitos de negligência médica após atendimentos na rede pública de Franca. Após passar ao menos duas vezes no Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”, o morador do bairro Vera Cruz, mesmo com fortes dores no peito, teria sido liberado sem qualquer medicação e com o diagnóstico de um torcicolo. Na noite da última segunda-feira, sofrendo com as mesmas dores, ele passou mal enquanto estava no banho e morreu, por volta das 20 horas, vítima de um infarto.
 
Segundo a irmã do paciente, Léia Peixoto Batista, 62, o ajudante procurou atendimento no PS na quarta-feira da semana passada, 13, e retornou no sábado, 16, com o mesmo quadro. Abafamento, dores fortes no peito e falta de ar eram os sintomas. “O meu irmão nunca foi de reclamar de nada. Ele não tinha problemas de saúde e, mesmo informando isso para os médicos e estando com muita dor, eles apenas o medicavam com soro ou dipirona e mandavam ele voltar para casa”, disse.
 
O último contato com o irmão, enquanto ele ainda estava vivo, aconteceu na tarde de segunda-feira. “Ele passou em casa e disse que as dores continuavam. Segundo ele, o médico teria dito que eram apenas dores normais por ele ter dormido mal, o que teria provocado um torcicolo. Nenhuma vez o deixaram em observação”, desabafou.
 
Na noite daquele mesmo dia, ela recebeu uma ligação da sobrinha, informando que o irmão havia passado mal e foi levado para o PS. Chegando lá, acompanhada da outra irmã, Maria José Hermógenes Peixoto, 52, foi informada que ele havia sofrido um infarto e não resistiu.
 
Bastante abatidas, as irmãs do paciente cobram apenas uma resposta do que teria levado os médicos a liberarem o ajudante, mesmo com dores e sem um diagnóstico mais detalhado. “Queremos entender o que leva profissionais que se formam para salvar vidas a realizar atendimentos tão precários. Os casos não podem continuar se repetindo”, disse Léia.
 
“Queremos uma resposta e vamos até o fim com isso e evitar que novos casos sejam registrados. Desejamos apenas que a saúde pública melhore e, se não denunciarmos, isso nunca acontecerá. Ele era nosso irmão e não merecia o que aconteceu. Nenhuma pessoa deve ser tratada com descaso, estamos falando de seres humanos e os profissionais precisam entender isso”, disse Maria José. 
 
Natural de Ibiraci (MG), o ajudante de pedreiro morava em Franca há mais de três décadas. Casado e pai de uma filha, ele, segundo as irmãs, não tinha registrado antes qualquer problema de saúde. O corpo de Laureano Peixoto foi sepultado no Cemitério Municipal de Ibiraci, na tarde de terça-feira.
 
Justificativas
A reportagem do Comércio entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde e a assessoria de imprensa da Prefeitura, em busca de um posicionamento sobre o caso, mas até o fechamento desta reportagem não houve retorno.

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