Além do encaminhado impeachment presidencial, do pedido de afastamento do presidente da Câmara e das crises fiscal e econômica, começam a surgir pedidos de cassação de parlamentares acusados de receber propinas. A Procuradoria Geral da República se prepara para também processar partidos políticos que receberam recursos indevidos. Até agora o único acusado formal é o Partido Progressista (PP), que o procurador Rodrigo Janot diz ter desviado R$ 358 milhões da Petrobras, mas também são citados o PT, PMDB, PSB, PSDB e PTB.
Até agora só foram processados empreiteiros, ex-dirigentes de estatais, operadores das propinas, dirigentes dos partidos e parlamentares mais envolvidos. Chega a vez de partidos serem acionados para ressarcir cofres achacados.
É duro golpe. Revela a marginalidade das agremiações que deveriam ser a essência do regime democrático. Serve, também, para desprestigiar ainda mais a classe política perante a opinião pública sempre susceptível ao discurso ilusório de salvadores da pátria, caçadores de marajás ou pais e mães dos pobres.
Infelizmente, os construtores da chamada Sexta República Brasileira, iniciada em 1984, erraram feio ao construí-la dentro do sistema de coalizão branca, loteando o poder para o presidencialismo. Partidos e parlamentares jamais poderiam ter sido cooptados a apoiar barganhando votos por cargos.
Os partidos políticos deveriam viver às próprias custas e não com verbas governamentais ou — pior — com doações espúrias. Parlamentares não poderiam abrir mão do seu dever de fiscalizar o Executivo para dele se tornarem sócios e cúmplices. É isso que nos conduziu à crise aguda que instabiliza a Nação.
Nossa democracia está seriamente enferma e caminha rumo a hecatombe política, econômica e institucional. É preciso remover pilares apodrecidos. Homens e instituições envolvidos têm de ser exemplarmente punidos e banidos da vida pública.
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
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