Semana passada lembrei-me do professor Antônio César Peron, nas aulas de pós-graduação em psicanálise: ‘pelo externo, dá para imaginar o interno’. Também, do exemplo que deu em sala de aula: você chega na residência de alguém e se depara com mato no jardim, e muita sujeira. Pode-se imaginar, a priori, como esse alguém funciona emocionalmente.
Interno e externo, um é parte integrante do outro e essa inter-relação conduz condutas. Lembrei-me de tudo isso porque fui à praia. O mar estava lindo, a paisagem bela, o ar com cheiro de litoral perfeito, mas a areia estava suja do que o ser humano deixa para trás.
É vergonhoso o que fazemos. Como podemos emporcalhar lugares lindos? É tão fácil cuidar. É só levar embora a sujeira que produzir! Espantei-me também ao ouvir gente atribuindo a sujeira à má administração da prefeitura. Até entendo que o poder público deve cuidar da limpeza pública, mas onde eu estava havia restos de alimentos, palitos de sorvete, muito plástico, tampinhas de garrafas etc.
Não houve como não relacionar à lama que escoou por rompimento de barragem em Mariana, Minas Gerais com a lama política que vai se depositando na história brasileira. A sujeira da praia, externa, representa o resultado do interno dos que por lá passaram; como, consciente ou inconscientemente lidam consigo próprias. Precisamos tomar banhos de civilidade, respeito, ética, de valores humanos nobres, até para evitar que o Brasil seja evitado por causa do zika vírus e da dengue
Passa da hora deste nosso gigante acordar de seu berço esplêndido e faxinar tudo! Depende de cada um de nós. Comece limpando o guarda-roupa, o entorno da casa.
Amplie limpando sujeira que encontra pelos caminhos que você percorre. Quando se deparar com alguém sujo, sugira-lhe imersão em limpeza.
Quem sabe o externo influencia o interno, ou vice-versa. Chega! Quem que é suporta sujeira?
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário na Unifran/Cruzeiro do Sul
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