Quem tem mais de 50 anos deve se lembrar bem dos anos do “Brasil Grande”, “Brasil - Ame-o ou Deixe-o” e do (falso) milagre econômico que enterrou o dinheiro público, dos nossos impostos, para espalhar uma publicidade ufanista, tentando se sobressair ao que ocorria nos porões da ditadura que obnubilou a vida do País por duas décadas. Foram os chamados anos de chumbo, onde existiam dois Brasis: um, como peça de propaganda, onde vivíamos às mil maravilhas; e o outro, onde a violenta repressão às liberdades democráticas censurava a livre manifestação de pensamento, com o crescimento assustador de nossa dívida externa. Naquela época, jornais tinham o seu noticiário censurado, programas de TV eram proibidos de irem ao ar e muita gente foi presa e morta. Mas a propaganda oficial só mostrava o que os sucessivos governos militares queriam. Era a época das grandes obras, como a nunca concluída Transamazônica.
Aqui em Franca, mantendo-se as devidas proporções, a cartilha é seguida. Embora alegue que a Prefeitura Municipal não tenha dinheiro para conceder um reajuste maior para os servidores, que não pode investir na melhoria da Saúde Pública ou na ampliação de vagas em creches, Alexandre Ferreira (PSDB) investiu nos últimos 15 meses mais de R$ 3,9 milhões apenas em ações publicitárias (outdoors, publicações, rádio e televisão) para criar uma ficção, mostrando uma Franca que não existe. Ele se aproveita da submissão da Câmara de Vereadores para enterrar o dinheiro dos contribuintes em peças publicitárias que tentam edulcorar o panorama de uma administração incompetente e, acima de tudo, alvo de uma série de processos na Justiça. Porém, estes gastos não devem passar incólumes, já que o promotor de Justiça Paulo César Corrêa Borges abriu inquérito para apurar detalhes sobre como esses recursos estão sendo utilizados.
Franca, que conta os dias para o término do mandato de Alexandre Ferreira, não suporta mais atos como este. O dinheiro público, que no final das contas é do contribuinte, precisa ser utilizado com responsabilidade em benefício da comunidade. Os gastos podem até ser legais, mas são altamente imorais, principalmente quando tanta coisa poderia ser feita em benefício da cidade com o dinheiro enterrado em propaganda. Esta não beneficia ninguém, nem o próprio prefeito, que ainda sonha com uma reeleição que dificilmente conseguirá. Enquanto muitos administradores municipais se preocupam em cortar gastos, inclusive alguns cancelando qualquer verba para o Carnaval para investir em saúde e infraestrutura, aqui em Franca Alexandre Ferreira faz o contrário e, mais uma vez, enterra a sua administração nos escaninhos da história.
email opiniao@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.