Ao longo de nossa história, o brasileiro se acostumou a acompanhar a impunidade proporcionada a agentes públicos e políticos. A despeito do chamado foro privilegiado, que permite a políticos com mandato serem processados apenas pelo STF (Supremo Tribunal Federal), hoje há uma sensação de que ninguém está livre da cadeia. O mensalão, que colocou nomes de peso da política nacional atrás das grades, como o ex-ministro José Dirceu, os ex-deputados João Paulo Cunha, José Genoino e Roberto Jefferson, além de vários executivos de bancos, já tinha deixado claro este novo posicionamento da Justiça brasileira. Foi um avanço, mesmo que tenha deixado lacunas que ainda hoje o brasileiro quer ver preenchidas. A participação do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva no esquema (o qual ele tentou negar a existência) não foi devidamente comprovada, mesmo tendo o publicitário Marcos Valério, condenado a mais de 30 anos de prisão, garantido que o Mensalão beneficiou o então presidente.
Hoje, acompanhamos com interesse as investigações e decisões da operação Lava Jato, que descobriu um esquema de fraude e distribuição de propinas envolvendo algumas das maiores empreiteiras do País e agentes públicos e políticos, causando um rombo bilionário nos cofres da Petrobras. A prisão de empresários, diretores da petroleira, lobistas e doleiros deixou o País estarrecido, principalmente por causa das revelações que foram surgindo conforme o processo vinha se desenrolando. Hoje, as suspeitas chegam próximo ao núcleo do poder, ameaçando auxiliares próximos da presidente Dilma Rousseff (PT), como Edinho Silva e Jacques Wagner, e até o próprio Lula e alguns de seus familiares.
Para causar ainda mais espanto, no decorrer da última semana o procurador-geral da República Rodrigo Janot, pediu a cassação do mandato de dois senadores, Delcídio do Amaral (PT-MS), preso pela Polícia Federal por tentar interferir nas investigações da Lava Jato quando exercia o posto de líder do governo no Senado, e Fernando Collor de Mello (PTB-AL). Este, aliás, que teve o mandato de presidente da República cassado por improbidade administrativa (teve contas pagas com dinheiro de propinas), é acusado de transformar a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, numa verdadeira máquina de desvio de dinheiro através de seus prepostos. Outros pedidos, envolvendo mais nomes de proa da política nacional, devem ser feitos daqui por diante. São fatos como este, onde o poderio político ou econômico não tem mais influência nas decisões da Justiça, que nos dão a certeza de que a partir da Lava Jato o Brasil não será mais o mesmo. Para a sorte de todos nós.
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