Desde o final de 2014, os gastos da Prefeitura de Franca com publicidade vem chamando a atenção. Em 2015, eles beiram a casa dos R$ 4 milhões. São recursos públicos investidos em propagandas nas ruas, televisões, rádios e até nas redes sociais.
Para se ter ideia do volume gasto pelo governo Alexandre Ferreira (PSDB) em publicidade, o montante passa de R$ 10,7 mil por dia. Valor suficiente, por exemplo, para praticamente resolver demandas antigas da cidade como as obras de alargamento do Córrego Cubatão, no trecho em que foi construído o Viaduto Dona Quita.
A obra, por um erro de projeto, tampou as bocas-de-lobo que antes existiam nas avenidas Major Nicácio e Ismael Alonso y Alonso. Sem escoamento das águas das chuvas, os problemas de enchentes no local que já existiam se agravaram, levando, inclusive, a Justiça do Estado a se mudar para a avenida Presidente Vargas. O alargamento do córrego que resolveria o problema está orçado em R$ 4 milhões.
Também seria possível diminuir o déficit de vagas nas creches. Os R$ 3,9 milhões usados com publicidade permitiriam ainda construir pelo menos duas creches com vagas para 140 crianças cada uma (veja quadro).
Denúncias
Os meses de maiores gastos em propaganda coincidem com aqueles em que foram feitas graves denúncias contra a administração de Alexandre Ferreira. Em abril, o governo municipal enfrentou a greve dos servidores e o escândalo envolvendo as suspeitas de favorecimento dos curtumes, que resultaram na abertura de um processo contra o prefeito em que ele é acusado de assumir em nome do município responsabilidades e custos que deveriam ser dos empresários.
Segundo o Ministério Público, Alexandre solicitou a licença, que deveria ser de responsabilidade dos curtumes, em nome do município de Franca, assumindo para a Prefeitura toda a responsabilidade por eventuais acidentes. Quando o caso foi descoberto, o prefeito pediu o cancelamento da licença por parte da Cetesb, mesmo assim não escapou de uma ação do Ministério Público.
Em julho, surgiram as primeiras denúncias a respeito de falsos médicos que atenderam milhares de pacientes nos Prontos-socorros Infantil e “Álvaro Azzuz”.
Por fim, em outubro, no auge do escândalo dos falsos médicos, o Comércio denunciou suspeitas de fraudes nos processos licitatórios envolvendo as sucessivas contratações do ICV (Instituto Ciências da Vida), responsável pela atuação de nove falsos médicos identificados na cidade. Ainda em outubro, o prefeito debochou da crise financeira enfrentada pelo Hospital Psiquiátrico Allan Kardec, que ameaçou fechar as portas depois de quase cem anos de existência. Alexandre Ferreira chegou a afirmar que o hospital era apenas um “depósito de gente”. Recebeu como resposta uma enxurrada de críticas (confira no quadro o gasto mês a mês).
Investigação
Os gastos com publicidade neste governo, nos últimos 15 meses, chamaram a atenção do Ministério Público do Estado. No final do ano passado, o promotor de Justiça Paulo César Corrêa Borges abriu inquérito para apurar detalhes sobre como esses recursos estão sendo utilizados e se não há irregularidades. A investigação ainda não foi concluída.
No final de outubro, ao comentar os investimentos em propaganda, a Prefeitura disse que os gastos com publicidade são investimentos necessários para manter a população informada sobre as ações principalmente nas áreas de Saúde e Educação.

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