Canastra e delícias das Gerais


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Fazer qualquer recomendação sobre hospedagem e ou alimentação na Serra da Canastra, ou qualquer outro lugar, que não contemple conforto e acessibilidade é complicado. Portanto, leiam-me todos, mas aceitem as dicas como certas apenas aqueles que já conhecem o esquema: chuva, lama, rusticidade. Posso dizer que fiz a minha melhor viagem para a Serra da Canastra, em termos de hospedagem e alimentação. Minha mãe nos acompanhou, por isso precisei pensar em cama boa, refeições completas e aventura calculada. 
 
Fiz uma pesquisa e me deparei com a Pousada Praia da Crioula. Fotos exibiam uma cachoeira tranquila, uma praiazinha aprazível, de areia mesmo, dessas que você pode estender sua toalha e esquecer-se da mera diferença entre o doce e o sal da água. Outra praia de pedras redondas, chatas, perfeitas para chapinharem o espelho d’água. Há serviço de quarto e outras mordomias que fazem da mata menos mato. Fiquei eufórica mesmo ao saber que o local é um santuário de pássaros, ponto de referência para observação, o famoso birdwatching. Fechado: presenteio minha mãe para juntas podermos desfrutar de um gosto que recebi dela, belos presentes, presumo. 
 
Na verdade, a pousada Praia da Crioula surpreendeu: ótima construção, os chalés têm boa privacidade, tudo bem limpo, natureza preservada e os recados - “não é permitido som automotivo” e “silêncio absoluto depois das 22h” - são sérios. Eu vi dispensarem um pretendente ao acampamento que queria ligar “baixinho” o som do carro. A resposta foi assertiva e negativa.
 
Mas vamos ao que interessa: “Cê vai pras Minas Gerais?” Então a gente fala da comida, do queijo, do pão de queijo servido a qualquer hora, de ótima qualidade, à prova de enfado. Ver a cumbuca de cerâmica lotada de pães de queijo quentinhos nos faz mineiros. Versão ousada para paulistanos e cariocas, nos esbaldamos com intimidade com pão de queijo e pernil. E, na preguiça da tarde chuvosa, lá vem o querido atendente Ney com um pratinho de queijo canastra e mais pão de queijo, só para não deixar o café preto desacompanhado. Não ousaria contabilizar nem os gramas nem as unidades consumidas, só sei que ficamos felizes.
 
Vamos ao que interessa 2. As três serras estavam exuberantes, a cachoeira Casca D’anta um portento, poderosa, antes mesmo de vê-la era possível sentir seus úmidos tentáculos tamborilarem nossas faces e cabelos. As chuvas regularizaram a nascente do São Francisco, embora nosso guia nos tenha assegurado que ela jamais secou, que foi sensacionalismo, apenas. Essa é outra dica: a Caminhos da Canastra. O guia Elosandro abriu nossos olhos para que pudéssemos ver os impossíveis veado campeiro e tamanduás. Além da observação de pássaros, foram 21 espécies diferentes, vistas, auscultadas e catalogadas, eles agora são parte de nosso álbum de fotos. Além disso, na parte alta da serra, descemos ao poço da Casca D’anta e fomos presenteadas com a força bruta e santa da natureza.
 
E afim de deixá-los em boas mãos, uma parada de estrada no Califórnia Queijos é sem erro: o lanche de linguiça vai muito bem como ponto final.
 
Dica da semana
 
Empanado
Já tinha tentado fazer uma empanação com farinha integral, mas o resultado ficou um pouco grosseiro. Daí descobri que é preciso peneirar a farinha integral. 
 
Na verdade, não gosto muito de peneirar porque as fibras maiores acabam ficando na peneira - você poderá ver. 
 
Mas no caso da empanação não tem jeito mesmo. E para fritar de forma mais leve escolha uma frigideira teflon e apenas unte com azeite, não deixe ficar muito quente e vá pingando azeite a medida que precisar.

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