Em razão da crise que o Brasil vive há mais de um ano, com a deterioração dos índices econômicos, principalmente os ligados à produção industrial (o que impacta nos outros setores, como serviços, varejo e construção), os números do desemprego explodem no País. Atualmente, o contingente de trabalhadores com carteira assinada fora do mercado de trabalho atinge taxa recorde, sem se contar a geração “nem nem” (nem trabalha e nem procura emprego), que pode duplicar os números registrados até aqui. Quem perdeu o posto e está à procura de nova colocação vê com preocupação a falta de interesse do governo federal, que tenta se desenredar dos problemas políticos e deixa para depois qualquer medida capaz de recompor o mercado de trabalho.
A taxa de desemprego no Brasil subiu a 9% no trimestre encerrado em outubro e renovou o maior patamar da série iniciada em 2012, segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, divulgada ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O resultado ficou em linha com pesquisa da Reuters com economistas. No trimestre encerrado em julho, a taxa foi 8,6% e no período de agosto a outubro de 2014, chegou a 6,6%. A população desocupada alcançou 9,1 milhões de pessoas, um aumento de 5,3% em relação ao trimestre de maio a julho e de 38,3% em comparação com o mesmo período de 2014. Já a população ocupada atingiu 92,3 milhões de pessoas, mostrando estabilidade nas comparações mensal e anual.
Como se pode ver, os números tendem a crescer, causando uma verdadeira instabilidade junto à população financeiramente ativa. Nunca se viu uma retração tão grande, contrariando qualquer discurso otimista proferido pela presidente Dilma Rousseff (PT) ou de seus auxiliares. Não há, pelo menos para breve, a mínima perspectiva de que o Planalto esteja estudando medidas capazes de reverter este grave quadro, que atinge em cheio uma grande parcela de brasileiros, o que colabora para sepultar inapelavelmente qualquer benefício que se tenha conseguido na última década. Dilma deixa claro que só com mais impostos é que o governo poderá criar facilidades para o setor produtivo retomar o seu pico de trabalho e reabsorver o pessoal demitido. Trata-se de uma visão simplista de um problema cuja resolução urge. Do contrário, as próximas amostragens a respeito do desemprego, que se constitui no grande problema nacional na atualidade, terão números ainda mais negativos.
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