Não é de hoje que a população de Franca reclama da qualidade do transporte público. Dentro da cidade, a concessionária do serviço é sempre acusada de não respeitar os usuários, utilizar veículos já velhos que transitam lotados e cobrar uma tarifa alta para os padrões dos trabalhadores francanos. Para os usuários, a falta de concorrência permite que a Empresa São José -- que atua na cidade há décadas, tendo trocado de proprietários várias vezes ao longo de sua existência -- aja conforme os seus interesses, ignorando a população. Hoje, mesmo com os coletivos transitando lotados em horários de pico (início da manhã, hora do almoço e final da tarde/início da noite), a empresa reduz trajetos, corta linhas e evita aumentar o número de veículos em circulação.
Ao lado da evidente falta de fiscalização por parte da Prefeitura Municipal, fica claro que o acordo a portas fechadas protagonizado pelo prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), ainda em seu primeiro ano de mandato, além de ter prejudicado a população francana deu uma verdadeira carta branca à São José para que faça o que bem entender. A coisa começou lá atrás, quando o ex-prefeito Sidnei Rocha publicou o edital para a concessão do serviço público. A série de exigências feita afastou outras empresas que se interessariam em operar o transporte urbano na cidade. A empresa São José aceitou, ganhou o certame e, depois que Alexandre Ferreira tomou posse, conseguiu fechar com ele um acordo onde foram perdoadas as multas que a concessionária teria que pagar por não cumprir pontos do contrato.
Assim, ficou o dito pelo não dito. O contrato já firmado foi parcialmente desconsiderado e a Empresa São José livrou-se de algumas exigências, não se sabe ainda a que custo. Agora, o francano — que se sente órfão de uma administração municipal interessada em seu bem estar — se vê refém de um serviço falho, que não atende às suas necessidades ou interesses. O transporte público em Franca continua caro e deficiente. Os coletivos da São José assemelham-se a latas de sardinha em alguns horários e não adianta os defensores da concessionária apontarem o grande número de gratuidades ou descontos na passagem para tentarem justificar a situação atual. Como diz um velho ditado, “quem não pode com o andor não deve carregar o santo”. Se a São José não se sente capaz de prover o município de um serviço com o mínimo de qualidade, que pelo menos abra espaço para que outra empresa atue. O que não pode é alegar impossibilidade de prestá-lo, pois já tinha conhecimento de todas as exigências antes de se candidatar à concessão.
Os francanos não merecem, de forma alguma, a continuidade desta situação, que tende a perdurar indefinidamente.
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