Diversos problemas estruturais do conjunto habitacional da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), localizado no bairro Santa Bárbara, têm transformado o dia a dia dos moradores em um pesadelo. Goteiras, infiltração nas paredes e janelas, escoamento ineficiente de água e ferrugens estão entre os defeitos da construção, que se intensificaram com as chuvas dos últimos dias.
Para entrar no bloco “P2” dos prédios populares é preciso abrir o portão manualmente e tomar cuidado, já que a estrutura está com partes soltas e teve que ser amarrada com fios pelos moradores, pois quase caiu em um carro. Na sacada, as grades de proteção começaram a enferrujar e têm parafusos soltos. Nesse local, já começa a dificuldade de escoamento de água, que deixa os corredores alagados quando chove.
Na sala de um dos apartamentos, primeiro cômodo da moradia, a janela vira uma “cachoeira” nos dias de chuva: a água escorre pelos vidros e parede, formando bolhas na pintura. Tudo isso em uma construção inaugurada em junho do ano passado.
“O prédio aqui é novo, mas já está com um tanto de defeitos. A chuva entra no teto, infiltra nas paredes e azulejos da casa inteira”, disse a faxineira Edna Rodrigues, 46. Segundo ela, a garantia dos apartamentos é de cinco anos, mas não conseguiram resolução por parte da CDHU. “É difícil falar com a CDHU no telefone e até agora não resolveram nada, pagamos tudo em dia, queremos nossos direitos”, reclamou.
Em outro apartamento, os danos são semelhantes, os azulejos da cozinha e do banheiro estão todos manchados e úmidos. “Acho que a capacidade de absorção dos azulejos é errada e usaram materiais de má qualidade, além de entupimentos e mau cheiro nos banheiros, porque a água do esgoto volta”, disse o inspetor de alunos, Carlos Roberto Pereira, 45.
O banheiro dos apartamentos é outro local cheio de problemas. “A gente precisa tomar banho em cinco minutos para o banheiro não alagar e a água sair pela casa inundando tudo”, relata o bombeiro civil Gilberto Fernandes, 40. Trincados nos azulejos do cômodo e uma pia que está despregando da parede somam-se a lista de estragos.“Pago R$ 618 reais por mês, não é barato. Quero entrar na Justiça para reclamar dessa construção”, desabafou.
No banheiro da ajudante geral Gerusa Pereira de Souza, de 61 anos, a dor de cabeça começa quando alguém usa o vaso sanitário. “A privada sempre entope, tenho que jogar baldes de água com detergente todo dia. O tanque da área de serviços já entupiu uma vez e molhou a casa inteira”, afirmou.
Além desses aspectos na estrutura, a presença de pombos nos telhados incomoda e preocupa os moradores. As fezes sujam as paredes e janelas e piolhos vindos das aves têm invadidos as casas. “Prometeram colocar telas nas extremidades das telhas, em setembro do ano passado, mas até agora não arrumaram isso”, ressaltou o agente penitenciário Márcio Marchesan, 42.
Outro lado
O diretor técnico da CDHU, Aguinaldo Quintana, disse que hoje uma equipe da companhia fará uma visita técnica ao empreendimento para analisar os problemas. A CDHU também garantiu que a construtora foi acionada para fazer os reparos necessários.
O bloco possui 18 apartamentos e fazem parte de um conjunto de 70 unidades destinadas a servidores públicos. O investimento da companhia na construção foi de R$ 10,2 milhões e, de acordo com os moradores, o valor dos apartamentos é de R$ 152,7 mil e as prestações variam conforme a condição social do mutuário.
Reclamações e informações podem ser obtidas na CDHU pelo telefone 0800-000-2348.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.