Sem radar, multas por excesso de velocidade despencam em Franca


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Dos 7,6 mil motoristas multados no ano passado nas avenidas de Franca, 6,5 mil estavam em velocidade até 20% acima do limite
Dos 7,6 mil motoristas multados no ano passado nas avenidas de Franca, 6,5 mil estavam em velocidade até 20% acima do limite
Seja por problemas de manutenção nos aparelhos, falta de gente para operar ou até mesmo porque não tinha viaturas. Fato é que os dois radares eletrônicos que controlam o excesso de velocidade nas ruas de Franca passaram longos períodos desligados no ano passado. Com isto, o número de motoristas multados por exceder os limites de velocidade despencou para menos da metade comparando-se com as autuações feitas em 2014.
 
Dados obtidos pelo Comércio revelam que 7.654 motoristas foram multados, em 2015, por transitar em velocidade superior à máxima permitida. No ano anterior, o mesmo tipo de infração havia gerado mais que o dobro de multas, 15.802.
 
A expressiva queda nas autuações não significa que a mudança de ano tornou os motoristas francanos menos imprudentes. Os abusos e barbeiragens no trânsito continuam. A explicação para a redução de multas é que faltou fiscalização. “Num primeiro momento, temos que avaliar que o equipamento precisa passar por manutenção, que é feita na cidade de Araçoiaba da Serra. Às vezes, o radar vai para lá e fica 20 dias, até mais de mês. Se estiver chovendo, não tem como fiscalizar. Também tem a questão da falta de agentes. É um conjunto de fatores que contribui”, disse o tenente Sérgio Buranelli, secretário de Segurança. A Prefeitura é a responsável pelos radares. A Polícia Militar se encarrega da operação.
 
Fontes ligadas à PM confirmaram que a fiscalização teve vários períodos de interrupção em 2015. Além da necessidade de aferir os radares, teve o problema de baixas de viaturas do trânsito, que precisaram passar por manutenção, e também da defasagem no efetivo. Em diversas situações, policiais que operam os equipamentos, foram deslocados para apoiar o atendimento de ocorrências prioritárias, como roubos.
 
As dificuldades de fiscalização por falta de efetivo poderiam ser minimizadas se não fosse a postura contrária da Câmara Municipal. A Guarda Civil de Franca está impedida de fiscalizar desde junho de 2011, quando foi aprovada emenda do então vereador Joaquim Ribeiro (PSB), proibindo o órgão de aplicar multas. A competência é de exclusividade da PM, que não tem homens suficientes. Em agosto do ano passado, o plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que as guardas civis municipais têm competência para fiscalizar o trânsito, lavrar auto de infração e impor multas. Mesmo assim, os guardas locais seguem impedidos de auxiliar no serviço. 
 
Abusos
Mesmo não operando em período integral, os radares eletrônicos flagraram muitos abusos cometidos pelos motoristas francanos. Em nenhuma rua ou avenida da cidade é permitido trafegar a mais de 60 quilômetros por hora. Dos 7,6 mil motoristas multados, 6,5 mil transitavam em velocidade até 20% acima do limite. Outros mil condutores estavam com velocidade entre 20% e 50% superior ao permitido. 58 motoristas foram flagrados correndo pelo menos a 50% do aceitável,ou seja, dirigiam carros, no mínimo, a 90 quilômetros por hora. “Os casos de exagero são muito grandes. O excesso de velocidade tem feito com que aconteçam capotamentos dentro da cidade, isto não é admissível. Alguns motoristas trafegam na cidade como se estivessem em rodovias. Nesta situação, quando acontece algum acidente, o resultado sempre é trágico”, concluiu Buranelli.

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